sábado, 22 de março de 2014

Uma das primeiras lembranças que tenho sobre meu sobrenome adotado, foi no primeiro dia da segunda semana de março de uns anos atrás. Eu estava indo pro colégio, e aí vi algumas senhoras e moças com rosas nas mãos, estranhei o fato da uniformidade (típica em alguns humanos) das flores. Eram todas iguais, versão unitária e totalmente vermelhas. Cada mulher naquele dia deveria receber uma, pelo menos era o discurso. De Estamiras a Narcisas. Todas eram "homenageadas e presenteadas". No colégio, fizeram questão de uns preparativos bestas como se fossem tapa-buracos. E aproveitaram a licença maternidade da professora de português, pra fingir que tinham planejado todo o evento. Tentei começar a ler um livro, mas um professor disse que não podia por ser um dia importante pra mim. Daí eu perguntei, pq eu deveria levar em conta datas comemorativas apenas simbólicas e nada representativas. Bem, ele disse que era um dia importante pra mim. Guardei meu livro, e esperei ele sair pra colocar os fones nos ouvidos, o que foi uma pequena fuga daquele nauseante feliz momento. Na hora da saída, tinham alguns funcionários distribuindo rosas para todas as mulheres da escola. Das alunas mais novas, ás funcionárioas e mães mais velhas. Grande maioria sorria e agradecia ao receber a singela lembrança(artificial). Na minha vez, eu peguei a que descartavelmente seria dedicada a mim, e em seguida joguei no chão. O rapaz, me chamou e disse que deixei cair, neguei com a cabeça e e falei que podia ficar pra ele, "mas hoje é seu dia" ele me disse, voltei pra pegar a rosa. Ele ia abrindo um leve sorriso como se tivesse me convencido. Eu devolvi a rosa pra ele, e disse que não fazia questão desse "meu dia". Aí, como num estalo profético, ele me chamou de ingrata. Respondi o elogio com máxima satisfação no rosto, e um educado vai tomar no cu na boca...

Ingrid

domingo, 9 de março de 2014

Se viram poucas vezes, e a entrega
suprimia a quantidade de encontros
Foram intensos como guerra, sem espaço pra trégua
E se tornaram um, se entendiam enquanto inacabados
se fossem perfeitos, seria o final e pronto...

ato realizado sem coadjuvantes
ambos protagonistas: dificíl execução!
por isso o ensaio era desnecessária ação
o entrosamento era visível nos sorrisos em seus semblantes

dizem que mutualismo é coisa de bicho
foram bicho,
não tinham habitat, qualquer lugar
servia de ninho e nicho

a rotina é predatória
e uma relação que podia dar boa cria
se viu entrando em confusão, enquanto se extinguia
perceberam estar entrando em cativeiro
e antes que fossem dominados por inteiro
dentro daquele espaço que nada tinha a ver com saigon
mas que ela também disse adeus pelo espelho, com batom

gael