segunda-feira, 25 de maio de 2015

ontem conversava com meu peito amor
ele perguntava de você
tem notado muito bem a sua falta
briga com o tempo quando o assunto é esquecer

os meus dias já começam no escuro
não reconheço mais a clara luz do sol
os butiquim são os consultório onde me curo
pesco ilusões sem ter ao menos um anzol

as garrafas tem ciúme de você
pois falo de ti todas vez que estou com elas
teu sorriso me embriaga mais que os goles
quito/pago minhas juras de amor em forma de parcela

gael

(a terminar)

de breque à Raul e Moreira

me perdoe minha mãe, se não fui filho direito
me perdoe (ó) meu pai, por não servir a pátria amada
me desculpem minhas irmãs por não servir de bom exemplo
e se a coisa só piora com o passar do tempo

é que não creio na mentira do bom merecimento
muitos menos na hierarquia das forças armadas
nem na ideia de um legal comportamento
e se o tempo sempre passa, rio com aguas passadas

o mito de ser bem sucedido
não seduziu facilmente meus preceitos
e se um dia eu me por arrependido
sorrio ao me ver bem imperfeito

a boca cariada e amarela
se expressa na melhor das intenções
e se não consigo traduzir meus sentimentos
de alento servem minhas falhas canções

gael
dois dias passaram, e na verdade nada tinha mudado
a linha tênue ja tinha arrebentado
sexta de manhã mó frio no mocó
a caixa de fósforo não poderia ser opção pior
como lareira ou fogueira, se deram ao luxo do desperdício
repetiam frases aleatórias sobre o estado do edifício
era um prédio velho, sem valor
construído ás pressas, por empreiteiros em busca de lucro
os operário tinham marmita, sono e muito rancor
óbvio, receber merreca por dez hora diária, deixava os cara muito puto
mais dois dias na casa, sem alteração
e os dois ali viviam de azia e má digestão
se antes tinham bela biblioteca
agora se orgulham ironicamente quando tem banho quente...de caneca
moraro três ano tranquilo, até suspenderem a agua
suados e sem expectativa se afogavam nas mágoa
aspectos físicos em deterioração, perdero peso
nula perspectiva de futuro, o album de fotos era o unico artigo ileso
horas passadas sem princípio de mudança
se sabotaram sem dó, colocaram ódio e raiva só de um lado da balança
os vizinho nada fizeram, eram cidadãos de bem
assistiam como novela: cada dia um novo capitulo
faziam questão de regar esse jardim infrutifero
acompanhar desgraça alheia, num era pecado tão grande, amém!
como fogo, o sentimento foi se espalhando pouco a pouco
já eram conhecidos no bairro como o casal louco
não tinham preocupação social alguma
sobreviviam já mortos, não sentiam dor nenhuma
já haviam sido tomados, nada adiantava
o olhar profundo olhando pro nada, logo denunciava
foi crescendo aos poucos, desde aquele dia maldito
faziam que não escutavam, e a chama fez do silencio grito
só imaginavam o passado feliz, e o presente sem cura
o futuro dessas carcaças era tragédia sem fuga
porque a morte da pequena foi do incêndio a fagulha
gael
abismo

Sem raiz, sufoca os orgao
Sem memoria, de passado orfao
Linha torta, mesma fabrica de erro
Na cena atual figura fazendo prece, abrindo cova e sendo defunto no próprio enterro
Eu sei o que eh meu opio, mas finjo q nao vejo
No labirinto sem fauno, negar os olhos nas maos eh ação do ensejo
Em queda livre sem pára-quedas indo direto ao encontro do que nego e cismo
A saída dessa esteira que nao sai do lugar eh o desejo
Apesar da aparência, junto do tombo, me reconheço e apresento..prazer, abismo
Solo gael