segunda-feira, 7 de novembro de 2016

asfixia

asfixia
como alimento engasgado ante a má digestao
vem o verbo entalado, que gera forte cançao
aquela que arrepia e dá frio na barriga
que vale 1 segundo nesse mundo homicida
que fabrica doença, crença e morte
nisso; criança é alento num momento sem sorte
confirma o que roberto ribeiro cantava:
"ainda resta..." o refrão que é suporte
no instante clínico entre o parto e o velório
exemplo cínico que até o tempo é ilusório
intervalo-existencia pra prolongar jornada incerta
dois corpos, caranguejos e uma praia deserta
traçando cachaça, enxergando horizonte
respeitando os antigo, é beber agua na fonte
é o estalo: como sampaio e o bloco
e o estopim: o menino, o tanque e a foto
é a feijoada regada no cacique de ramos
com as veias abertas, vivendo cem anos
e o besouro vermelho é o anti-herói absurdo
ataca falso mérito com humor e conteúdo
é a rua pixada chamando atenção
o partido e o freestyle dando as mãos
é o miudinho misturado ao moinho de vento
o hiphop, o samba e seus fundamentos
registrando nascimento e luto
através do que sinto, vejo, falo, toco e escuto
e antes do último minuto reina a asfixia:
morre o poeta... vem a tona a poesia

gael

domingo, 15 de maio de 2016

O tempo altera a imagem
A imagem confunde o tempo
A equaçao dos dois elementos
O tempo compoe em paisagem
O ponteiro representa o tempo
O espelho reflete a imagem
Ilusao no espelho é miragem
Intervir no ponteiro é contratempo
A importancia de um mero segundo
E do grao fragmento de mundo
Um ponteiro atrasado? um novo começo
Ampulheta vazia é a morte querida
Se viemos do pó, somos cacos de vida
E no espelho quebrado: me reconheço
gael

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Rotina

A mosca que zanza entre os copos mal lavados
A cerveja batizada que enxerga o fígado comprometido
O odor de fritura, cachaça e banheiro abandonado
A sinfonia de alheias cunversa e transporte coletivo
O recipiente cilíndrico e a superfície enferrujada
Os cinco sentidos em total entrosamento, em prol de um butiquim sub-aproveitado. As imagens que isoladas teriam nenhum valor, unidas dentro do cotidiano mecanico se elevam á sagrado quadro que se repete diariamente, nao importando protagonista, espaço e tempo.

gael
quando os olhos vao mal,
a visao anda turva
e as cornéa projetam sempre a merma coisa:
recomenda-se necessário o descolamento de Rotina
gael

domingo, 20 de março de 2016

A vida é como um rio
companhia são como jangadas
que estão nessa jornada
relações de compadrio
lições de respeito ao mar
assumir nossa pequenez
entender o nó que se desfez
pois um dia ele pode reatar
céu quando carregado
sinal de futura tormenta
marinhero que auto-atormenta
não sustenta o proprio barco
a maré (amar é) inconstante
as vezes agita, as vezes acalma
mergulha na propria alma
o jangadeiro confuso e errante
gael
partisan de campo verbal
resistencia frente a inércia imperial
onde ainda rendem lucros a familia real
visao deturpada de juventude drogada
toda quinta-fera o highlander da rima leva um livro pra casa
além dos afiados que leva na pergunta ou no refrao
e os olhos surpreso de ver o bboy girano no chao
a biblioteca é trincheira presente nessa guerra diária
cada emprestimo feito, é uma barreira que falha
infiltramos nos erros dessa equaçao sem resposta
o quociente é pró-capital, nos resta a falencia exposta
enquanto achamos que a monarquia foi extinta, que é só memória
é dos Orleans e Bragança que contam a história
gael

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

restos

perfurando o próprio peito
arrancando os próprios olhos
tirando fora as orelhas
costurando a própria boca
flagelando as próprias costas
mutilando seguidamente pernas e braços
transformando-se no oposto
de tudo que lhe desejavam
ou que sempre sonhou
deixando livre apenas o polegar, indicador e o médio
da mao que julga mais apta a escrever
ainda assim existirá um pavio de esperança:
a necessidade se transforma em fagulha
pronta pra riscar o chao...
mostrando que é possível mesmo com a dor
parir algo belo
gael