domingo, 22 de dezembro de 2013

A cidade de uns crimes perdoados

Sem essa de descritivismo barato, já que de onde falo o contexto é outro. Lutam pra ser ou parecer caros. Brigam pra saber qual maquiagem ou fantasia será a mais bonita. O desentendimento aqui é comum, normal. Desde de pequenos conseguimos esse grande feito de se desentender por nada. Culpados? Todos os que aqui habitam. O organismo (des) funciona a mil, e os empregados são a própria lenha que faz a máquina girar. Moem ossos com sutileza e espremem corações sem escrúpulos. A arbitrariedade do juiz é notória, todos sabem, ele julga de acordo com o que pode ser oferecido. Os crimes são diariamente atualizados. Estatísticas e números. Mapeamento e operações. O telefone grampeado só apontou a cabeça doentia do prefeito e sua rede de pornografia infantil. Esquecimento e reeleição. Pois no dia seguinte, três meninos foram pegos no flagra, ao furtivamente visitarem um shopping. O trio de infratores que, além de fome tinha família e restos de esperança, foi espancando por seguranças presentes e recebeu vaias dos que rapidamente passavam pela praça de alimentação rápida. O prefeito no dia seguinte deu um discurso ao vivo, dizendo que ia aumentar a segurança e a verba pra educação. Os sorrisos foram chiques e de classe, saindo da média e subindo as altas. O conteúdo virtual do político bem sucedido foi deixado de lado, e os meninos receberam reeducação de um padre local, Severino. Aqui, uns crimes são perdoados, outros não...

gael

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Hoje mais cedo vi dois cartazes. Num estava escrito "é proibido andar com objetos que produzem chamas", no outro "Desligue seu celular". Quer dizer, infelizmente, a cultura do artificial ainda é um vicio. Porém, devemos sorrir, pois ainda há gente que incendeia comportamentos frios e estruturas congeladas...

gael (gabriel kopke)..

coé dudu galeano
Não ligue ao falar uma merda, suas palavras podem servir de adubo para verbos-sementes e substantivos-frutíferos..

gael

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

quer namorar comigo?
assim se repetia o velho menino
ha tempos flertava com a morte
e no desenrolo nunca tinha sorte

depois de tanto desentendimento
teve seu exito final
pois o dia do casamento
foi o mesmo do funeral

gael

p(r)ole positon


o carro caro não te salva do duro impacto
respira raro, sem ar perde o controle
motor falha quanto mais insiste no combustível inapto
e invisível vivemos na cultura dos poles

narrativa da corrida não enaltece o percurso
já que só o campeão é digno de apresentar seu discurso
tapinhas nas costas servem de facas pontudas
quando o rebaixado vai bem, apontam que teve conduta sortuda

toda equipe é negada ao sucesso do piloto
o retrocesso vai direcionado a um funcionario tolo
desingresso desse evento, caminho enquanto a ordem é :"pilote!"
seus acidentes de progresso são mais válidos que camarote

na contagem regressiva..
conserto depende do mecânico
esse: explorado e sem vida
é culpado pelo teu estado de pânico

o mecanismo da engrenagem
demonstra semelhança entre máquina e dono
na ansia de ganhar mais
espremem tudo que ce tem, inclusive seu sono

o argumentos conversíveis de tua ferrari
são tão úteis e saudáveis quanto a relação dente e cárie

não confunda o pulsar do coração
com o barulho da batida
a trilha da experiencias garante não teoria, mas ação
que dirijamos na contra-mão nessa fajuta corrida

gael
Ela disse que podia ser minha
Se a levasse num restaurante caro
Ela disse que teríamos filhos
Se a comprasse aquele vestido
Ela disse que nunca discutiríamos
Se eu a chamasse para as férias na França
Ela disse "temos uma futuro brilhante!"
Se eu abandonasse todo meu radicalismo
Ela disse muitas coisas, grande parte não levada a sério
Se eu fosse por ela modelado...bem não fui
(E cá estou sem ela que podia ser minha)

gael
"Se Liga", eu poderia estar "Fazendo sua Cabeça", mas prefiro perguntar "A culpa é de quem?", não sei se é dos "Seus amigos" ou de um mero "Paga pau". Sei que o "O Bicho tá pegando" e muitos "Rappers Reais" estão com a "Mão na cabeça" por fazerem parte da "Hemp Family". Pra um melhor "Futuro do país", a melhor saída era que alguém "Legalize Já!", a "Bala Perdida" de uns "Porcos Fardados" volta e meia atinge uma "Puta disfarçada", mas o real alvo é alguma "ex-quadrilha da fumaça". "Quem me cobrou" isso foi "Maryjane", grande amiga, e você faça como eu e "Mantenha o Respeito", mesmo estando "Biruta" para todo esse "Contexto" não acabe numa "Quarta de Cinzas".

gael
Eduardo Galeano nunca esteve em Petrópolis. Não sei, posso estar enganado mas acho que nunca pensou em visitar essa fria cidade. Até presidentes vinham para cá, tirar férias de sua atarefada vida. Mas Galeano não, esse sequer cogitou passar um final de semana. Tem mais o que fazer: caminhar, pensar, escrever e viver, é claro! Certa vez Galeano escreveu: "nesta cidade onde nunca acontece nada, tão chata que morrem todos bocejando". Errei.Galeano já veio á Petrópolis, tanto que a descreveu melhor que qualquer morador.

gael
O ser humano precisa, biologicamente, de oxigenio para sobreviver. A vida com outros de sua mesma raça também quer respirar algo que torne a sobrevivencia plena ou no minimo aturável. Buscamos nos outros o que queríamos ser ou fazer, e buscamos em nós, o que julgamos ser necessário para este outro ser. Achismos a parte, o ser humano é uma grande falha enquanto imagem e semelhança de deus. Não somos onipotentes, queremos ser. Não somos oniscientes, longe disso. Não somos onipresentes, ansiamos por ser. Disso resulta nosso maior pecado, de repente o original: o ego. O fato de querer ser algo ou aparentar ser, apenas por motivos alegóricos, por artigos descartáveis de nossa "essencia". Um cuspe ou um dedo médio bem dado pode representar o ato mais sagrado do dia de uma ser. Não subestime os quietos, eles falam mais que todos, observam, mas falam com a cabeça.Não distribuem juízo de valor a tudo a seu redor. Achando que tudo gira em torno do bicho provido de "inteligencia". A real sabedoria se encontra na assimilação do útil a vida espiritual e fisica sem buscar um equilibrio, uma vez que este é falso, assim como sua maquiagem. Sorria, mas quando tiver que sorrir. E não acredite em qualquer coisa que lê por aí..

gael
1º passo

O primeiro passo foi dado, já me ponho num lugar diferente. Creio ser uma mutação, quero
ser uma mutação. Com óculos 3D pronto pra ver a realidade, se possível nua e crua. Pode ser
 ruim, que seja ruim. Enquanto puto procuro escrever, e não é que sai melhor assim.
A indiferença é fruto de um passado monótono e (até) cego. Ouvi dizer que ser radical faz
mal. Que me faça o pior possível! As influências vem e as mais consistentes ficam.
Não podemos acertar em todas. É melhor errarmos por vezes. O erro é tão mal visto,
tão crucificado. Erre uma vez e milhões de dedos serão apontados em sua direção.
Agora acerte e verás indicadores calados, inertes ao seu sucesso.

gael

graduaSamba (haha)

o bar é o nosso escritório, o nosso quartel
sentados em volta da mesa, só diplomata e bacharel
em pautas assuntos de primeira importancia
só sujeito simples, sem bancar extravagancia

é feita a reunião, após cada expediente
vem carlão de são gonçalo
e da bahia tunico tenente
GT do pessimismo, tudo vai dar sempre errado
tem cerveja, catuaba e também rabo de galo

pra reitoria meu voto é: dona regina
o grilo que tanto fala repousa no catarina
quando bebe fala muito, quando não fala também
só contador de história, que não vale um vintém

em matéria de bebida, todo mundo se empenha
faz fichamento e prova, e do alcool faz resenha
vem de skate ou de carro, movido a cigarro leandro madruga
sempre pronto pro combate, pros amigos e pra ajuda

nesse bonde tem doutor, professor e engenheiro
arquitetando em copos, adiando o derradeiro
faz milagre sem dinheiro, alguns aumentam com falácia
narrativas na cidade, discurso da roça, vem lá da farmácia

gael
quando as estruturas balançarem
quando as ditaduras silenciosas gritarem
quando suas fontes de conforto secarem

ainda vão ter os que desacreditam
os que não percebem o panorama a sua volta
os que facilmente se irritam
por ver que seus explorados, tão explorando suas revoltas

não lhes acontece nada
por isso gostam tanto de simular
a ficção não machuca ninguem
mas tem o ego ferido, quando cada
selvagem quer sair e passear
no mesmo shopping que garante seus bens

onde já se viu?
dividir ambiente com a barbárie
os que sorriem mesmo com cárie
não aceito, comprar e sair em família
dividir a loja do enxoval com o pivete e sua quadrilha

taí o enredo perfeito a ser filmado
os coadjuvantes, não pensantes e sem semblantes
transformarão a obra em algo aclamado
sorrisos, salva de palmas e prêmios: todos estes insignificantes

chama um roteirista famoso
um que capriche nos efeitos especiais
que seja ousado, criativo e luxuoso
porque de defeitos já bastam os reais

Em cartaz nos seus condomínio caros
Em cada cabeça preconceituosa
Em exibição contínua, sem embargo
O conteúdo foi trocado, pela presença da atriz gostosa

Infelizmente, isso dá muita bilheteria
o blockbuster real não tem espaço pra dublê
Luz, camera e ação
onde imitam a realidade e conseguem entreter

Atores e atrizes garantem os altos cachês
não descem do salto, nem abdicam de protagonizar
papéis importantes, falas bonitas e que possam aparecer
a tua parte, espectador, não tá esquecida, não fique triste assim..
os créditos sobem e terminam tua participação com um singelo: fim

gael

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

podem falar de gordura localizada, intestinos e até do femur, mas a "parte" do corpo que mais pesa é a alma!

gael
"Paz sem voz. Não é paz, é medo"
em meio ao caos, esquecemos dos lírios do gueto
no silêncio, a babylon te sorri, tenha cuidado
desconfie de tudo que tá pacificado

no mundo que aliados entram em conflito
o mínimo de contato gera o máximo de atrito
de trincheiras existências pedem algo mais
mudas gritam, em especulações irreais

sun-tzu chora, sem arte, sem guerra
por toda parte, ideia de bonaparte não mais impera
a guerra é lucida, mostra as feridas da terra
num suspiro de vida, a realidade berra

a falsa democracia mente
a maioria finge que entende
você acredita em sonhos com cifrões alucinados?
prefira a guerra, ao ouvir dizer que tá tudo pacificado


gael

saudação aos andantes

ó lá quem vem

de longe, perto, não importa onde
pisam descalços no caminho de concreto
acompanhado ou sozinho, sei que tem gente vindo
com compromisso sem alarde, faz o teu e fica quieto
mesmo tarde, olha o céu e enxerga o teto

ó lá quem vem

na alegria ou de luto, ambos lutando
planta semente, colhe fruto, abençoada colheita
atividade dita e feita, dos que não acreditam na mentira eleita
que abdica do toque no celular,
tecnologia que desumaniza, choque cultural, cabeça que idealiza

ó lá quem vem

de lugares, navegam mares, pé no deserto destrói os sapatos
até dos bares sai neguin que se corrói pelo não ato
e dói, porque se julga estar inapto

ó lá que vem

vestindo trapos sem ligar, sorriso largo a acalmar
despedidas sem fim, mães a chorar
saúdo aquele que anda, saúde a toda banda
que percebe humildade, e na arte vê mudança


gael

mostro-me a exceção da atual sociedade do magro, do reto e do raso
mostro minha barriga de guardanapos, copos e pratos
mostro minha ignorancia ao discurso convencional, bobo e chato
mostro meu sorriso amarelo frente ao seu mundo de fluor e sorriso acolgatado
minha gula não é pecado capital...
tenho gula ao engolir o que ninguem mastiga..
e vomito o desagradável em seus belos pratos de comida
.
.
.
não tape os ouvidos, eu existo!

texto: gael

desenho: guilherme constantino

o cancer do organismo de jack

desconstruir o estabelecido não é só explodir prédio
porradaria existencial pra espantar o tédio
a verdadeira arte marcial
é a luta engajada pra derrubar o capital
enquanto a válvula de escape escoa pelo eco
balões-humanos, cheios de si, estouram antes de chegar no teto
ídolo de si próprio, o ópio é o auto louvor
tão preocupado com a imagem, negligencia (su)a dor
que passa, e sem graça, aproveita o disfarce
e mesmo após a festa, mantem a fantasia
continuando a farsa, que engrossa o caldo da falsa face
a cara a tapa só é dada por questão de ironia
nota musical mais disseminada é a que fala de si
substitua a lei de talião, pela lei de murici
entramos no concerto pra desconsertar o padrão
a critica-ataque é feita a partir da uniformização
todos iguais, pensam fotocópias de quem manda
pensa que se locomove, pois em cima de esteira anda
caminha, pero não sai do lugar
descreve tão bem, que consegue enganar
nos porões da agonia, planejamos os atos
a glória é ser coerente-simples, e não a de sair intacto
conteúdo não esculpido em carrara,
cuspido e escarrado, torna a joia mais rara
todas suas ações de crédito, descredito
abomino seus juros, e faço campanha contra sua empresa de banco
se despir das suas marcas faz parte do rito
e quando nos dizemos radicais, respondem "não é pra tanto"
o processo com sentimento é lento, mas planejado
vão cair suas estruturas, pela ajuda das informações dos infiltrados
abdico essa sua proposta equivocada de vivência
o lucro de seus atos e investimentos só leva a falência
após horas de estudo, em lugares clandestinos e floresta
orquestra das explosões, é o que nos resta
cesso o barulho do ar, e paro o respiro
pra poder escutar melhor a melodia do tiro


gael

auto reprovação (ou a apresentação de Ingrid Ingrata)

O noticiário paralisado em questões que achava perda de tempo
Apesar de nova, demonstrava personalidade
A julgavam sem sal, pois era diferente

Ela ignorava, dizia que eram auto-detentos
A louquinha tentava andar sem vaidade
E por esse caminho, se propunha ser coerente

Se um dia caísse serviria de alimento
Representava o oposto da uniformidade
E no colégio dos bem sucedidos, fez questão de ser repetente

Sobre o caô (mito) da caverna, mantinha os olhos atentos
Conjugava solidão na pluralidade
Na chamada dos corretos, foi a primeira a chegar, com o singelo motivo de se dizer ausente

gael
Jovem e velho
unidos com merma idade
lidano com contradição
intervindo em si próprios em diferentes cidade
ao que (me) parece sintonia e afeição

munidos de sorrisos,
esporros e brigas
nuns lugares fisico ou virtual
diálogos que avançam h..
oras, esse é só mais um mutivo de carim
noto teu sorriso e olhos
çorria agora, ao ler a lírica brincadera e
ainda almejo dar-te a mão em varios momento


gael
que tu vês?
ao invés,
importa só quando é tua vez

como bexiga
enxe, infla...
até o ponto que tiver lá em cima

sorria do topo
agradeça ás limpas águas, rio
percepção do interior oco

assopra até explodir
sem eco, porque era ilusão
teu ego se foi, agradeça irmão

gael

Flerte (j1)

Por isso perto de ti, perceba o flerte
sem exacerbar as vezes ficamos inertes

Nao quero te-la, nem possui-la, não é questão de propriedade
quero ser contigo e sintoni'amor, despido de vaidade

sobre você falo, descrevo e sonho
na precipitação, como bebida, o revés eu tomo

Nota só, solidariedade ajuda
Sem solo, conserto de ideias nos acuda


gael
pensei em levar flores
não consegui, foram atropeladas pelo desfile de tratores
no lugar, um belo jardim artificial
num mundo que chama de revolução aquele momento industrial
aperte um botão e sinta a fragrância
invada o local e seja pego em primeira instancia
não que vá atrapalhar, não é esse o motivo
de que vale sua presença num lugar onde nada é vivo?
á distancia é melhor, parece tudo real
sorria ao ver direto o produto final
nada de semente, fruto ou caule
aos que foram contra, disseram: enjaule!
dentro do pensamento livre engaiolado
o arco-íris 2.0, agora, photoshopado
não se desespere, por esses fictícios atos inescrupulosos
enquanto vão naturalizando, ações em estados dados lucrosos


gael
arrasta carcaça, num guenta ficar de pé
se diz resistente, mas nunca foi de sair do discurso
falava pelos outros, do rio prometia mudar o curso
criava seus ritos e manipulava sua fé

Ato dois: mesmo só, mantinha postura
denunciava quieto, mentalidade da fartura
que se farta em si mesma e explode por dentro
muitos especulavam, mera "questão de tempo"

de tanto esperar, engorda a criatura
que pelo tamanho, se dá ao luxo de queimar gordura
fome da engrenagem, devora os ossos
alguns conscientes, os chamam de nossos

o homem-suco é espremido até o talo
o que sobra não é útil, se esvai pelo ralo
convive no esgoto, chamado foco de doença
arroto social, após o almoço da descrença

Prato feito é o plano perfeito pro cardápio
TV-ópio pós digestão e programa larápio
engana a cabeça, coração e estomago
menu desnutrido se achega pro amago

banquete dá fome, pro home sujeito
saliva é inveja? roubo, causa e efeito?
variedade de uma coisa só, num dá pra resistir
e pra voce que vira alimento, "boná petit"


gael

reflexo?

despertador-ignição pra começar o dia
café quente em cima da hora era seu combustível
virou mais um figurante nesse reality show invisível
onde nos eliminamos (em possibilidades) reforçando hierarquia

pô, o tempo passa.. mudanças acontecerão
10 anos corridos, deixou pra trás todo vigor
a distração era uma droga, e a esse vício se entregou
voltar atrás sem condição, não lembrava mais o caminho que fazia contra-mão

refazia em fotos e cartas o passado brilhante
o futuro ganhou o presente numa vivencia embaçada
bafo de tédio na cara moída, não mais reclamava
nem as piadas sem graça animariam o semblante

saiu de cima do muro, caiu no abismo dramático
depois disso entrou na linha... de produção industrial
antes menos valia, agora dedicação total
sem carteira e com instruções, um belo piloto automático


gael
ela se questionava, comé que tava assim
sem resposta, mas com certeza sem fim
eram dois, mas variavam relações
de diferentes momentos, atos e intenções

a carapaça de um, o esqueleto de outro
confusão no concreto, até o reto era torto
falavam certo de errado comportamento
e errados iam em endireitar sentimento

jantar em casa, parecia momento de luto
gritos com eco, e preparo de suco
cada um no seu foco, julgavam o outro maluco

atritos, não são detritos meu bem

estopim de ideias, resultado ao vivo
sem se formatar, conjugava em negrito
verbos a flor da pele, questionamento furtivo
no jardim de ações, sorria no clandestino

valor doado ao escasso oxigenio
só é dado quando subterraneo
invasão de espaço, não soa como prêmio
coloniza os atos, egoísmo intra-cutaneo

se levantasse outra haste
renovaria o desgaste?
sem resposta de novo, caminhava para o abate?
sendo todo visceral,traduzia melhor o combate

esguelavam, em se querer bem
ás vezes sem sorte
e atritos não são detritos, meu bem
mesmo medindo o porte


gael
copo cheio, num dá mais
um gole, cê vomita
refeição indigesta, qualquer cardápio te irrita

testa de ferro, pra não ficar feio na foto
teste de resistencia, belo voleio no foco
mas perceberam que cê tava só caindo
se o interior chora, pelo menos o externo tá sorrindo

aparência agradável, menu de primeira
cardápio regado: da entrada a sobremesa
que te expoe a fragilidade da cariada beleza

na cadeia alimentar, só ingrediente salutar
dependencia da ilusão no apego alimentício
o que tu comes só pelo gosto, demonstra o vício

não se afogue dentro de si, perceba sua revolta
outros estão no mesmo restaurante a sua volta
também fingem higiene usando guardanapo
limpando a sujeira indesejada, sem tempo pra papo
invertendo a lógica da roupa de luxo e o trapo

junto comigo
aceite amigo,
mas antes de falar de sua próxima lastima
pede mais uma, pega o lenço e enxuga suas lagrima


gael
Todos reclamam do caos
Todos param para ver o caos

Caos nosso: desespero
Caos alheio: só frescura

Quanto mais cascos, mais caos
Quanto mais carros, mais stress
Quanto mais barcos, mais naus
Quanto mais barulho, mais decibéis

tempestades, enxentes, interesse lunar
maquiagem, rabiscos e conflitos pro lar
dinheiro, propina, realidade irreal
festas, sorrisos e um Feliz Natal

Shiu, Silêncio! Deixe o caos dialogar..


gael

SOLO

pé no chão pra sentir melhor a terra
caminhando em comportamento erosivo
argumento solidificado pela vivência em guerra
companheiro de si próprio pra demonstrar porque vivo

solo é humilde e nos acompanha
faz questão de servir de sustento e base
numa relação tão real quanto deserto e oasis
sobreviver já é uma grande façanha

descalço de julgamentos rasos
ás vezes o pé se afunda
vendo a superfície enganosa
mirando compreensão mais profunda

plante bons atos, mesmo cercado de viadutos
recompensado: não será você, e sim o futuro
no comportamento egoísta e latifundiário
ver os frutos crescendo é o verdadeiro lucro


gael

Palhaço Ícidio

palhaço chora
incompetência ou rebeldia?
não vê a hora
penitência é alegrar o seu dia

protagonizava em ser atração apática
cansado das crianças simpáticas
dos belos trajes de passeio
de parecer vazio, está cheio
mesmo insatisfeito e reclamão, pertencia a esse meio

não fazia questão de um público respeitável
negava a satisfação alheia
sonhava sem maquiagem, um momento agradável
mas como era realidade, até a fantasia era feia

entre a felicidade e a tristeza
poucos momentos se diferem com clareza
como o sorriso instantanêo
no intuito de caminhar espontanêo
em contrapartida à pressa do corre
a velocidade do sorriso será a mesma da lágrima que escorre

já tava decidido, não ia arcar com suas dores
iam por o preto por luto, ao palhaço agora sem cores
no circo dos horrores, último número precisava de sorte
a tenda balançava pela força eólica
a cara mesmo angelical, se escondia atrás da maquiagem diabólica
gran finale: aplausos ao artista que teve êxito em sua morte


gael

CLASSIFICADOS

Diariamente vemos ofertas humanas. Transformaram nossas habilidades em utilidades, sempre útil á regalia de poucos. Compram seu tempo e o transformam em jornada. Alugam suas atitudes e dão nome de comportamento. Tomam o que cê tem de mais valoroso dentro de si, e empurram pro final da fila. Os que se classificam são glorificados. Os que não tem bom desempenho e não seguem as regras, são rebaixados. O troféu é dado ao vitorioso. Palmas, sorrisos e prêmios! Não me classifique nessa competição. Oferecemos aos competidores pura indiferença e rejeição. Nossas páginas estão vazias de propaganda. Nesses periódicos agimos como traças, a destruir por fome, mas esse alimento fazemos questão de vomitar! Nossa única disputa pra é derrubar o poder, não tomá-lo. Não bebemos esse tipo de artigo. Agem por motivos duvidosos e apelam pra argumentos baixos. Sem fazer média, nos marginalizam. Espalhamos por meios clandestinos o que está acontecendo porém, sem sua deturpação rasa e parcialismo besta. Não tentem nos comprar, financiar ou alugar. Fazemos parte dos achados e perdidos que ninguém dá valor. Nos precificam sem nos perguntar, por isso erram. Descontamos com juros suas ações de crédito. Na bolsa de valores, carregamos não objetos, mas o que sentimos. Não nos conhece? prazer, desclassificados... e desculpe não estamos a venda.

gael
caminhamos inverso aos versos que fazem
palavras que juntas servem de sabotagem
à mente embasada em estruturas falidas
o careta, sem palhaço, faz questão de agradar
só assusta quando para pra julgar outra vida
e cuida-te de ti, diz o livro milenar
latifundiários: ao tomar posse da existência alheia
reforma agrária comportamental pra ser luz no fim desse túnel escuro
nossa presença nesse veículo desgovernado é válvula que freia
atitudes ácidas envenenam o futuro promissor de seus frutos
atropelam falas com intuito de parecer vanguarda
o discurso do vencedor não dialoga com a realidade
fazem questão de não questionar, pois a resposta é árdua
a boa educação será respeitada, mas não atrase a mensalidade
perceba a contradição do organismo
e entenderá o motivo dele ser perverso
ação solidária não funciona com cinismo
e é por isso que não é só nos verso que caminhamos inverso.....


gael
Pai nosso que fugiu do céu
Insignificante seja o vosso nome
divididas sejam as terras do vosso reino
Sejamos livres no que buscamos, que nos sintamos a vontade
mesmo estando na terra, no inferno ou no céu
que a preocupação do pão nosso seja comunitária e não egoísta
Louvemos o erro, e por isso não nos perdoe... somos humanos, errantes e fodidos
E por favor, nos deixe cair na experienciação, e livrai-nos do (nor)mal... amém!

gael
vomito

desde o início, quando ce começa sua jornada
que chamam de vida, te anunciam propagandas de como se vestir
comparsas e farsas que fazem parte do enredo
mesmo com medo, te adiantam "melhor não insistir"
ta incluso no espelho, o julgamento alheio de juiz que se diz imparcial
e de joelho tu roga pra sair ileso no final
a culpa é do país, do governo e da sociedade
se tira o teu reta, te capturam pela incredulidade
o tetra já faz tempo, e ainda tem nego que enaltece
os gritos de galvão pelo título: acham ser bom anti-estresse
ultrapassado é presente nos achismos e comentários
seja um vencedor, mas permaneça dentro do horário
indicado, é um comportamento tranquilo...sem vexame
quem reclama muito, vira alvo de ironia no reclame
ou comercial, de produtos que forçam a barra
atenção pra fala real, que quando precisa cospe e escarra
nas cara de pau de nego plastificado que não revigora
vivem de conservação da ordem que explora
pois conservando-se no topo, não perdem o belo lugar
de assistir tudo, na íntegra, e sem migração pendular
mó barato, perceber que valorizam cara aglomeração
de leis e posses, que fabricam tosses e ostentação
mas faça questão de esquecer o que é passado
como nessas palavras de barro e seu conteúdo suspeito
não me leve a sério por isso ter vomitado
e me reconheço como imagem e semelhança do que é imperfeito


gael

Miguelzinho

miguelzinho bem nascido e educadoperfumado com colônia, bom civilizadoaluno dedicado...a manter a lógica do vencedor bem comportado
assim ia o jovem preparado
a repetir o repetido
e sempre fez tudo o que pôde, quando era permitido

o pai que sempre o ensinou boas maneiras
não maneirava nas doses, e tinha whisky de primeira
largou os sócios que tinha, desejava maior lucro
os negócios iam bem: direto ao sepulcro
daí, sem motivo aparente mudou sua aparência
elevou o status da empresa à falência
as perguntas e dívidas vinham com maior frequência
e miguelzinho perdia seu exemplo de bem sucedido e decência

a irmã se tornara maluca
o ex namorado, jogador de futebol
deu um chute de bico e lhe deixou de sinuca
era danosa á própria vida, assim como na época que seu cabelo recebia formol

mamãe antes sempre sorridente
fingia não ver o momento decadente
aos outros se forçava a mostrar todos os dentes
recebia o adjetivo de empenhada negligente
nas festas de família se gabava com as melhores cervejas
agora todo garbo, gasto e tempo iam pros remédios ou pra igreja

não tinha jogada que mudasse o resultado
seu movimento final foi ver o pai na porta de casa todo cagado
a cola da coca, foi trocada por ina, e sem controle vivia desnorteado
nem as ultimas ações teriam salvo o patriarcado
sem estimativa de jogo, no tabuleiro real
não via saída, nem ponto final

ao se ver dentro do buraco
e que seu lindo espelho virou uma infinidade de cacos
lembrou do estoque de vinho
bebeu alguns, e outros vendeu aos vizinhos
com o dinheiro obtido, no auge da indecisão, saiu sozinho
assim pela primeira vez, aos 23, pisaria descalço no espinhoso caminho

e tu que farias no lugar de miguelzinho?


gael
Olhava a seu redor, apesar da dor não tinha DÓ
Era parte daquilo, não era máquina mas transportava quilo, quando tranquilo diminuía o ritmo e ás vezes recorria a RÉ
MI falava de suas razões, o sustento era o intento que aliviava preocupações
FAmiliar já era estranho, estranhava atos de carinho, a sobrevivencia é o ganho, e na gaiola do cotidiano a ave endividada vendeu seu próprio ninho
SOL marcava o corpo e batia cedo seu cartão, carteira vazia não dá azia, nem má digestão
Relato esse real há, não existente aqui belo local, de fotografadas paisagens. É de LÁ dos barbados fadados ao esquecimento e barbárie
á tona trágica mudança, refrão repetitivo é como rotina e te cansa
alheio ao meio, não se sustentava menor, nem maior, sabia que se continuasse a tocar assim seria pior, compôs nova melodia e no seguinte dia, novo arranjo iria seguir. cansado dessas saídas e notas reparou no outro lado do espelho e olhou pra dentro de SI... entrou pra dentro de SI


gael
fotos são cicatrizes de momentos
cicatrizes são fotos de experiencia
tatuagens mentais, marcam seus ritos pessoais..
tatue ou tenha a real cicatriz pra vínculo forte com a interna raiz

solo (gael)
Me devoraram todo. No inicio não percebi os vi chegar, momentos depois não incomodavam tanto. Os ratos foram tomando espaço pouco a pouco. Queriam comer meu cérebro. Conseguiram. Eram pequenos e quietos, por isso não notei suas chegadas, o número foi aumentando, eles se reproduzindo... Tarde demais. Fui devorado por hordas de ratos cinzas, pretos e famintos. Me roeram feito uma estrutura de madeira. Sembase, ruí por dentro. Com seus dentinhos brancos e afiados fizeram o maior estrago que pude presenciar. Pareciam fazer questão de roer até meu último pedaço. O fizeram com precisão. Servi de alimento para uma infinidade de famílias roedoras, locais e retirantes. Não tiveram pena alguma, não eram humanos. Se o fossem poderia ter sido pior. Toda racionalidade me foi em vão, todos livros lidos foram em vão. O processo parecia um ritual, dançavam na minha barriga, gingavam em minhas pernas. Pareciam zombar da minha condição humana, se empenharam. Foram tão eficazes quanto proletários a produzir riquezas a um burguês. Quando saciados, sem qualquer tipo de remorso, saíram todos á procura de mais alimento. Estavam famintos. O arrastão dos habitantes do esgoto intimida. Não se apavore, eles vem de mansinho. E ser o resto do que já fui um dia não é tão ruim assim, estar morto me fez me sentir mais vivo do que nunca.

gael
narrativa da corrida não enaltece o percurso
já que só o campeão é digno de apresentar seu discurso
tapinhas nas costas servem de facas pontudas
quando o rebaixado vai bem, apontam que teve conduta sortuda

toda equipe é negada ao sucesso do piloto
o retrocesso vai direcionado a um funcionario tolo
desingresso desse evento, caminho enquanto a ordem é :"pilote!"
seus acidentes de progresso são mais válidos que camarote

na contagem regressiva..
conserto depende do mecânico
esse: explorado e sem vida
é culpado pelo teu estado de pânico

o mecanismo da engrenagem
demonstra semelhança entre máquina e dono
na ansia de ganhar mais
espremem tudo que ce tem, inclusive seu sono

o argumentos conversíveis de tua ferrari
são tão úteis e saudáveis quanto a relação dente e cárie

não confunda o pulsar do coração
com o barulho da batida
a trilha da experiencias garante não teoria, mas ação
que dirijamos na contra-mão nessa fajuta corrida

gael
Narrativas idas III 

Paraísos artificiais vão prolongando minha existência em meio a normalidade. Me ajudam a suportar propagandas de liberdade, sentimentos de plástico e um cotidiano mecânico que poucos ousam reclamar. Ideiais falsos que vem sendo vendidos em belas embalagens recicláveis. Por serem belas e recicláveis recebem poucas críticas e são deixados de lado por uma vivência razoável ou mediocre. Convivendo na guerra, uma mente pós-apocalíptica me espera. Conflitos tomam conta de mim, a lucidez é uma boa lutadora. Me sinto uma experiência de laboratório que deu errado. O resultado disso tudo pode ser muito pior..
Narrativas idas II

Os esgotos sabem de tudo. É pra lá que vão todas nossas sobras, nossos restos, o que queremos esconder. Escondemos da superfície, mas não do subterrâneo, ele sabe o que você come, bebe, lê e pensa. O que você descarta é alimento para os esgotos. Eles são tremendamente agradecidos pela quantidade de utilidades que vocês despejam e jogam fora. Sem vocês, eles já teriam morrido. Mas agora criaram um monstro, um monstro silencioso, que quer acordar, mas não agora, não em qualquer momento. No momento certo ele se levantará e vai cuspir e vomitar tudo de volta. Vai trazer á tona todos seus segredos e mistérios para os que estão aí em cima. Portanto, cuide melhor do seu lixo, ele te observa a cada segundo e objeto descartado..
Narrativas idas I

 Caminho entre prédios e calçadas, minha alma me acompanha. Mesmo desnorteado, me sinto bem ao notar que ela ainda é minha. Seres vivos fantasiados de zumbi se esbarram e esbarram em mim. O clima se alterna entre quente e frio, mas sempre é vítima de reclamações repetitivas. Quando não vira tapa-silêncio de conversas alheias, do tipo:"não está calor hoje?". Um cotidiano caótico é tido como normal e todos se recolhem ás suas primeiras pessoas do singular. O plural é pouco conjugado, logo esquecido. Com isso criamo-nos como indivíduos individuais. O meu ou o seu, nunca o nosso! Pra que dividir o que pode ser devorado por apenas uma boca. Enquanto isso organismos clamam por sinceridade, imploram por verdade, necessitam (se alimentar) de criatividade e buscam por simplicidade. Simples, esqueça oa adornos e extravagâncias. Abandone o desnecessário...

gael

Todos Somos,
todos somos vítimas de um sistema
um sistema facil de resolver,
basta voce fingir ser algo, é simples.
Busque o que todos buscam
Assim será facilmente aceito
Não deixe que sua alma seja como samba que agoniza, agoniza e não morre
Esmague-a, ou melhor, vá ao shoping mais próximo adquirir uma que esteja em promoção.São as melhores, já vem com originalidade própria, fique tranquillo, são feitas em série, qualquer coisa fora do normal é só ir lá e fazer a troca, e em no máximo 2 semanas te mandam outra pelo correio
Por pensar, falar, se vestir e coçar o cotovelo como a maioria, seus pais só lhe pedirão um emprego razoável, que ajude a pagar contas aqui prestações acolá.
Todos somos iguais, desde iluministas franceses, até bolivianos em La Paz
O que muda além do esporte nacional, é a forma com que você vai analisar o seu proximo, seja ele um político eficiente ou um operário pai de família preguiçoso, interprete como quiser a ordem dos adjetivos não altera o conteúdo
Todos Somos
Somos reféns do que vemos no espelho quando olhamos diretamente pra ele
Amigo, Todos Somos!
Por Favor,
Conforme-se

gael
Somos canibais de si próprios. Vamos nos devorando, pedaço por pedaço gradualmente vai sendo digerido no intuito de reconhecer-se em algo válido. Após essa refeição, que façamos  questão de refletir sobre o que foi feito e aí sim, chegar ao ponto crucial de trazer á tona uma alma conhecedora dela mesma. É a antropofagia existencial fazendo você se tornar seu próprio alimento, seu próprio estímulo. Ao mastigar uma parte sua fragilizada, você pode fortificá-la. Se absorva. Você só irá se conhecer por inteiro, quando se devorar por inteiro...

gael

Mercedes

Por vezes e momentos de cabeça baixa
servindo de serviçal enquanto o chão racha
cê acha realmente que ia estabelecer?
uma boa relação com que detém o poder
mesmo não tendo graça, só pode ser piada
coexistir pacificamente com a ordem (que é) odiada
Em meio ao conflito, não sei se cê viu/civil
o orgulhoso capitão e o tratamento hostil
se achava correto, e sem critério agiu
um simples tiro na cara, e com relógio caiu
ainda me lembro sem palavras, da cantiga de ninar
(ela) cantarolava por você, e resistir é amar
rejeito o trono sedutor, mesmo sendo dificil
tendo que ser e arcar com os próprio sacrificios
tbm nego sua alteza, digo não no dia do fico
o intuito é deixar,
a programação fora do ar
no seu horario de pico
suspeite do silêncio que é quando agimos
vocês especulam, nós sentimos!
não subestime quantidade, respeite a mínima guerrilha
porque é de "não" e "são" que se formam quadrilhas
sem oportunidades, abra suas proprias portas
se exercite e trabalhe, mas sem ligar pras notas
depois do aprendizado, zero minha ultima prova
com novas visão e pratica, fundo a nova escola
não farei tudo que vc quiser, sem questionar
máscaras e belos sorrisos não vão (te) maquiar
Após tanto correr, por vcs encurralado
rodeado por uniformes em cima de seus cavalos
Em meio a fuga não ligue pras explosões
na briga pela vida é qnd nascem as mais belas canções
pequenos rastros e pegadas de uma ligeira existencia
abdico o mundo cinza e toda vossa falência
antes do adeus, te relembro, digo o que sinto
lute pra se encontrar nos seus próprio labirinto

Adiós Mercedes, um bejo a ti forte guerreira
Adiós Ofelia, conversa mais que sincera
Adiós Mercedes, combativa por inteira
Adiós Ofelia, primeira flor da primavera

gael

Discurso Lupino I

O Lobo dialoga, fala com a noite 
flerta com a lua branca e pálida
Solitário, observa o céu
Assimilia sua existência e uiva se recolhendo à concorrência das estrelas

gael

Seu Ambrósio era um velho teimoso. Segundo ele era veterano da segunda guerra. Segundo a verdade foi dispensado semanas antes do conflito por acidente trágico, tropeçou num treinamento e caiu em cima do próprio braço (azar). Numa casa de dois andares, bem arejada, viviam ele, o neto Ademir e Duque, seu vira-lata que adorava carne-moída. Pela idade, Seu Ambrósio já não tinha lá a vitalidade de seus tempos militares e dependia diretamente de Ademir. Ademir, era inteligente, mas teve de abandonar os estudos pra ajudar o avô. Acordava cedo e preparava o café para três, já que Duque  era considerado membro da família. Ademir não ligava muito pra sua vida, mas achava que um pouco mais de liberdade não o faria mal, pois executava todas suas funções com extrema pontualidade e esperteza, e mesmo assim o velho fazia questão de arrumar algo mais pra ele fazer. "Coloque em ordem alfabética meus discos do Rei", "tire a poeria da minha coleção de selos" eram as frases que mais ouvia e portanto, as atividades que sempre repetia o prestativo rapaz. (Porém), o que incomodava-o totalmente eram os estridentes gritos de "cadê meu copo d´água?" e lá subia ele as escadas com o copo cheio do solvente universal. Ele sugeriu mil vezes ao avô deixar uma garrafa cheia no criado-mudo e sempre era repreendido aos adjetivos de "preguiçoso, jovem preguiçoso!". Certo dia após gritar durantes dois incessantes minutos Seu Ambrósio percebe que o neto havia deixado um bilhete ao lado da cama. Ao abrir, leu: "Vovô,como forma de agradecimento por todos esses anos de ótimo tratamento, fui buscar água diretamente da fonte". Extasiado e orgulhoso, Seu Ambrósio morre de sede dias depois, mas feliz ao concluir que não tinha um neto tão preguiçoso quanto pensava.

gael

Encontro Consontanal

Encontro consonantal

Convidei uma bela moça pra dançar palavras, ela rejeitou sem dizer nada. As palavras que estavam loucas para converter aquela relação em dança, se recolheram cabisbaixas ao canto do recinto, onde ficaram até perceber que aquela bela moça era calada desde o nascimento. E só rejeitou o convite por vergonha em não saber sequer um passo na arte de dançar palavras.

gael k
A bolsa de valores foi quebrada há muito tempo
E esses foram se perdendo pelo caminho
Entre o joio e trigo, quem os achar guarde bem, ou mande para mim!
Perdidos no meio desses valores perdidos, vamos exercer nosso mandamento mor
esperar alguém fazer algo, para criticá-lo...
Esse aí, todos respeitamos, e quando nós somos os criticados, reclamamos como loucos!
maldito homem, maldita mulher, maldito ser,  por que não fica quieto? tem sempre de falar..
e quase sempre uma merda das grandes! (não que falar merdas grandes seja errado)
a grande questão é só falar disso! o que fazemos como ninguém, ninguém mesmo..
Fale sobre o ilusionismo barato que vivemos, acreditamos e propagamos.
Um dia, ahhh esse um dia, seremos TODOS bem sucedidos, poderemos passar férias na praia, falar sobre a página de cultura
ir a restaurantes bem frequentados!
Quando esse dia chegar, tudo se restringe a um minuto, ao simples momento de falar" garçon a conta, por favor"
Entrarão em extase total!!!
Tudo porque esse dia chegou, e você como nunca duvidou, agradece ao destino que recompensou um batalhador como você.
Que nunca, raramente, ás vezes e frequentemente sonegava um imposto aqui, não devolvia uma carteira acolá.
Mas sempre que nos era permitido, enchíamos o peito e "Malditos políticos, todos iguais, ladrões!"
ó ser humano, quando você vai perceber, quando irá se reduzir ao nada? ao silêncio? e  claro, ao ócio criativo?
Mas teu ego é maior, mais importante e indispensável!


gael
Ando bem arrumado, não que eu ligue. São vocês que ligam. Por usar belas roupas, já me colocam num bom plano. Apesar da aparência, não sou como vocês. Não conseguiria ficar um segundo nesse limitado mundo humano. Me intoxicaria. Não respiro seus valores, eles há tempos estão ultrapassados. Acredito em alguns da sua raça e por isso ás vezes tento algo. Mas quando faço, faço direito. Algo grande e que tenha destaque(valor) mental. Destruo artes obsoletas, que tentam se fazer de rainhas(ou reis) numa monarquia já desposta Ao destruí-los deixo um rastro de insanidade na tentativa de reciclar esse monopólio da mente aprisionada. Vivo em muros e paredes, sempre alerta a qualquer resquício de normalidade. Quando os percebo, os ataco. Já me chamaram de assassino. Mais uma vez não ligo e rio na cara desses seres. Apenas reciclo agressivamente o que está aaí sem motivo algum, dou um "toque" para mudarem e passem a representar algo que  realmente tenha sentido. Então, tome cuidado, qualquer descuido e apareço, incisivo, na atitude de implantar uma realidade artística inovadora e inconsequente.

texto: gael
desenho: JackTheJack

Tin(h)a

    Sonny Ortega, puto da vida, vive exilado na sua cabeça.Numa tarde do século XXI, Ortega caminhava com sua companheira.Assassinos os surpreendem e a liquidam a tiros(risos).
    A moça tinha gritado, tinha agonizado e tinha uma dívida de cocaína.Ele chora com a perda e se desespera.Por ser o único presente na hora que a polícia chega, vira suspeito.Se desespera mais ainda.Não conseguindo controlar seu nervosismo, acaba preso em declarações contraditórias.
    Sonny acorda no dia seguinte em sua cama, assustado, vê que tinha imaginado uma caminhada, tinha imaginado uma jovem, tinha imaginado mal-feitores, até um vício tinha imaginado.Tinha imaginado tudo.


gael k

A caminhada

Num só gole tomou todo copo d'água e saiu de casa. Precisava dar lugar aos pensamentos que como moscas, zanzavam ao seu redor. Estava com os inseto-ideias há tempos na cabeça, mas soube administrá-los. Era fim de tarde e graças ao horário de verão. o sol pedia à irmã lua mais tempo para reinar. Processava seguidamente cada pensamento e hipótese, casa dívida e gratidão, cada atitude e reação. E quando achava que estaria no fim, incomodado recomeçava o processo com indefinidas teorias. Passava por ruas que não sabia o nome, caminhava sem ligar pra horário. A atenção era toda para dentro de si, tanta era a distração que não ouviu Raul o chamar e por duas vezes tropeçou. Sentia que algo próximo iria mudá-lo para sempre. Criava uma auto-expectativa, pequena, mas criava. Começou a lembrar de algumas dívidas que contraiu, de problemas que acumulara e empecilhos cotidianos que "obstacularizava" sua vida. Na época (em) que era mais novo não imaginava estar nessa situação. mas agora era tarde. Não podia voltar atrás. Só podia recomeçar. No momento em que reparou um acidente, estacionou seus pensamentos. Hesitou, duvidou e optou em dar uma olhada na tentativa de esquercer-se um pouco. A multidão já estava formada, com curiosos e pseudo-interessados, além dos médicos que ali trabalhavam. Era um típico atropelamento de distração, só que dessa vez, do transeunte. Aos poucos ele se aproximava da futura manchete, e já na frente, enxergando o acidentado, foi tomado por grande surpresa. Reconheceu totalmente a vítima. Na percepção instantânea  seu estomago revirou, a cabeça entrou em nós e o coração acelerou. Era ele próprio que estava ali no chão, sendo observado por todos. Deitado e inerte, só não estava totalmente pálido por causa das manchas vermelhas que o coloriam. Quando voltou a si, abdicou de seu protagonismo no acidente e deixou a tumultuada avenida para trás. Quarteirões e minutos depois, percebeu que fez a melhor escolha, pois poderiam tê-lo reconhecido e o acusado de mentiroso ou caluniador. Continuou andando até notar que estava bem longe do ponto de partida, se sentiu satisfeito pela distancia percorrida e decidiu não voltar mais. A intensidade do acontecido foi tanta que não se preocupou em buscar explicação alguma. A partir dali era um caminhante sem passado. Apenas uma sombra clandestina, num mundo de luzes.
gael k

Implosão

Com o "bum" seco, cai a estrutura
Sobe a fumaça, ficam os escombros
implodiram a alma, de uma mente insegura
na troca de olhares, a liberdade da com ombros

Fica quadros, rabiscos e retratos
gestos viram ruídos, sem olfato inalo
com grilhões e algemas, a carcaça eu arrasto
e do subterrâneo me guio sem Faro

Sem reflexo, o espelho em cacos
sem lágrimas chora o "estilhaçado"
bêbado segue o equilibrista na torta pista dos fracos
a realidade sorrindo com (e) os olhos tapados

De pé cá estamos, a pequena e eu de mãos dadas
o deraredero desejo voar, e as asas foram cortadas
Observando da janela do último andar
olhos pra trás, aceno, é minha vez de pular

reles taurante popular

artigos de couro que guardam o que (que) ce vale
num mundo desarticulado que te precifica
ignoram o louco pra não ser levado a sério
tradições negligenciadas por quem desacredita

ciclista á margem, ta fora do ciclo
pé descalço e ca poeira, resta o pó...de mico
atitudes anti-fome fomentam humildade
que reduz á satisfação alheia com gesto de caridade

o bang dumas ong é desumanizar
pra tirar de quem não tem, e já sem arca arcar
o diĺuvio emocional não deixa sobreviventes
e antes tu do que eu, dizem ser um discurso contundente

se não sabe a que veio, comemore a incerteza
que tem gente que diz saber,
e se empenha a levar crer
que apregoa sorrilmente a beleza que poe a mesa

no self-service das alma, amor e simplicidade ficam fora do cardápio
indigestão pros bom vivant e seus bonitos prato

gael k
Apenas o intuito de registrar numa pasta virtual, conteúdos e pensamentos de um qualquer que anda..

quando as estruturas balançarem
quando as ditaduras silenciosas gritarem
quando suas fontes de conforto secarem

ainda vão ter os que desacreditam
os que não percebem o panorama a sua volta
os que facilmente se irritam
por ver que seus explorados, tão explorando suas revoltas

não lhes acontece nada
por isso gostam tanto de simular
a ficção não machuca ninguém
mas tem o ego ferido, quando cada
selvagem quer sair e passear
no mesmo shopping que garante seus bens

onde já se viu?
dividir ambiente com a barbárie
os que sorriem mesmo com cárie
não aceito, comprar e sair em família
dividir a loja do enxoval com o pivete e sua quadrilha

taí o enredo perfeito a ser filmado
os coadjuvantes, não pensantes e sem semblantes
transformarão a obra em algo aclamado
sorrisos, salva de palmas e prêmios: todos estes insignificantes

chama um roteirista famoso
um que capriche nos efeitos especiais
que seja ousado, criativo e luxuoso
porque de defeitos já bastam os reais

Em cartaz nos seus condomínio caros
Em cada cabeça preconceituosa
Em exibição contínua, sem embargo
O conteúdo foi trocado, pela presença da atriz gostosa

Infelizmente, isso dá muita bilheteria
o blockbuster real não tem espaço pra dublê
luz, camera e ação
onde imitam a realidade e conseguem entreter

atores e atrizes garantem os altos cachês
não descem do salto, nem abdicam de protagonizar
papéis importantes, falas bonitas e que possam aparecer
a tua parte, espectador, não tá esquecida, não fique triste assim..
os créditos sobem e terminam tua participação com um singelo: fim


gael k