Não reconhecia-se mais, um escritor em declínio
dividia as doses de aguardente, com doses de lupicínio
cinismo, não guardava no bolso
e o lirismo antigo, só era presente no almoço
só comia, pra continuar respirando
olhava e ouvia, mas se retinha ao segundo plano
osso cotidiano, mastigado ás pressas
escrevia seus salmos em guardanapos pra fazer suas preces
farelos de esperança varria pra debaixo do tapete
quando conseguia acordava pra vender itens de enfeite
mas sem adereço mantinha trajes bonitos
mocassim, calça velha e palitó encardido
seu primeiro romance inspirado em cordas de aço
agora representa finos barbantes, bem acessível ás traças
sua cabeça: um prédio contemporaneo de babel
dinheiro desviado, construção embargada e dívida de aluguel
por questões de segurança, demoliram esta obra
aves daninhas que me contaram das sobras
o morro está de luto, pela dona do bar
senhora educada, que o humano-fantasma vivia a assombrar
este mesmo mulambo da primeira parte
se afogava na fuga, e ficar sem ar era arte
diziam pra ele pensar em si, ainda há um deus
ele respondia, bem calmo, ainda há um adeus
antes de tudo, ainda deu mais um trago
usou o mesmo palito, pra realizar o ultimo ato
não teve remorso! o incendio era o basta!
virou um traçado, em respeito a nossa senhora das graças!
o amargo castigo, poderia ser premio de consolação
despediu-se da boemia e de si, sem aperto de mão
se refugiou no seu mais lindo lar, se sentia bem em tabernas
virando sombra, no seu proprio velório, o boteco o enterra
"foi assim", disse dona divergencia
pra não brigar com ela, que nada tinha culpa
se despediu contando os dias, sem pedir desculpas
a homenagem veio ao fim da primeira brasa
o jardim da saudade dava lugar aos escombros, na nova casa
e pra quem duvida, se até na morte tem vida
pergunta ao carteiro, que todo dia sorri, ao passar pelas margaridas
gael
narragens e falas que um dia tiveram vez, podem estar mortas, mas são ressuscitadas toda vez que algum olho as acompanham e num pequeno espaço de tempo ganham o mínimo de artenção num outro satélite-cabeça...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
terça-feira, 15 de julho de 2014
nas costas das formigas todo o ouro, lucro e futuro do tamanduá
na cabeça das formigas o desejo de viver pra sustentar sua cria
o desejo por poder, leva a crer, que é melhor ter...
descrentes constituem resistencia, fiéis louvam com veemencia e o tamanduá devora a todos sem mínima clemencia
no formiguero social, hierarquia bem estruturada
te exploram até não sobrar nem gota, nem pingo de nada.. assim como fizeram em serra pelada
gael filho de formigo
na cabeça das formigas o desejo de viver pra sustentar sua cria
o desejo por poder, leva a crer, que é melhor ter...
descrentes constituem resistencia, fiéis louvam com veemencia e o tamanduá devora a todos sem mínima clemencia
no formiguero social, hierarquia bem estruturada
te exploram até não sobrar nem gota, nem pingo de nada.. assim como fizeram em serra pelada
gael filho de formigo
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Fragmento achado de Juan de los Palotes, desaparecido
"Escrevo para me livrar da tortura. A sombra que me persegue e faz questão de me torturar é indiferente ao que passo e sinto, sabe que isso contribui nesse ritual nada benéfico, nem a mim, nem a sombra. Meus pés tentam criar raízes a medida que tem qualquer relação "agrarável", mas são sabotados pelos ratos que não cansam de roer. Tentativa e erro de minha parte. Observação e sucesso da parte deles. Água e óleo não se misturam, e dessa mistura fizeram o pior traçado que pude beber. Forçado a engolir para hidratar o que restava de mim. Comparado aos traçados antigos, tinha nada de praça, de graça ou abraço. Só de pés descalços roídos, sangue fresco em desuso e peles em pedaço. Escrever é uma tortura, e é o que sobra de mim, quase-ser que nem os vermes querem mais. Corroído por dentro e destruído por fora, apenas deixa-se negligentemente um pedaço meu no que serve de papel, da unha faz-se ponta da caneta e o sangue é a tinta dessa literatura clandestina, primitiva e ultrapassada. Escrevo essas palavras sabendo que são minhas ultimas, e depois dessa tortura nada mais me resta. Nada mais me resta..."
gael solo de los palotes encontrou o fragmento
14 07 14 - 4 da manhã
gael solo de los palotes encontrou o fragmento
14 07 14 - 4 da manhã
sexta-feira, 11 de julho de 2014
serjo samplajo (pavio)
quando paridos, o pavio do destino é aceso
e o ideal do progresso é faze-lo
de regra a ser seguida
se não, o que tu irás conceber não é vida
vão te chamar de negra ovelha
ou de outros estereótipos que der na telha
uns aceitam de cabeça baixa
o intuito dos de cima contra ti
é: rebaixa!
se não, não pode criar, muito menos parir
sucumbir é o que logo vão especular
mas de especulação
já me basta a wall street e tókio
prefiro ouvir histórias de pescador, sherazade ou pinóquio
os que erguem o peito
e saem a questionar
vão ser tratados de problemáticos
que de nada sabem respeitar
"VEJA" bem, esse tipo de prática
não faz bem, melhor é maquiar-te
e nos ideais, fazer uma plástica
pensar que faz diferença, por fazer arte
por favor, ponha-se no seu lugar
e neste caso, nunca será o de pensar
de conversas e traçados trocados
faço meu hino
a experiência de ancião
no corpo de menino
faz parte do erro
enquanto ensino
que qualquer menino
tem grande sabedoria, enquanto embarca
em aprendizado de capitão
não é só piloto que maneja a arca
e sábio mesmo é o ancião
que se reconhece aprendiz
pois mais se aprende com quem nunca diz
com o pavio aceso, se perde sem alarde
a contradição do real se faz presente enquanto arde
a linha da vida é como abismo, simples fino
caminhamos na corda bamba
que sabemos: se rompe a esmo
equilibra no peito, enquanto arranca
com dentes e unhas o que busca
a rotina é o feitor que te frusta
e te impõe a viver por um fio
me parece que quando mais procuro,
mais me confino
sem perceber o cheiro de pólvora
de quando explodiu o pavio do destino
gael
e o ideal do progresso é faze-lo
de regra a ser seguida
se não, o que tu irás conceber não é vida
vão te chamar de negra ovelha
ou de outros estereótipos que der na telha
uns aceitam de cabeça baixa
o intuito dos de cima contra ti
é: rebaixa!
se não, não pode criar, muito menos parir
sucumbir é o que logo vão especular
mas de especulação
já me basta a wall street e tókio
prefiro ouvir histórias de pescador, sherazade ou pinóquio
os que erguem o peito
e saem a questionar
vão ser tratados de problemáticos
que de nada sabem respeitar
"VEJA" bem, esse tipo de prática
não faz bem, melhor é maquiar-te
e nos ideais, fazer uma plástica
pensar que faz diferença, por fazer arte
por favor, ponha-se no seu lugar
e neste caso, nunca será o de pensar
de conversas e traçados trocados
faço meu hino
a experiência de ancião
no corpo de menino
faz parte do erro
enquanto ensino
que qualquer menino
tem grande sabedoria, enquanto embarca
em aprendizado de capitão
não é só piloto que maneja a arca
e sábio mesmo é o ancião
que se reconhece aprendiz
pois mais se aprende com quem nunca diz
com o pavio aceso, se perde sem alarde
a contradição do real se faz presente enquanto arde
a linha da vida é como abismo, simples fino
caminhamos na corda bamba
que sabemos: se rompe a esmo
equilibra no peito, enquanto arranca
com dentes e unhas o que busca
a rotina é o feitor que te frusta
e te impõe a viver por um fio
me parece que quando mais procuro,
mais me confino
sem perceber o cheiro de pólvora
de quando explodiu o pavio do destino
gael
ECO
A par
do que estar
com diferentes
seres que são gentes
a soma, equação
ímpar, limpa
com coração
que gere
feto puto
de luto porque não nasce
se suicida
da vida de lucro
obtuso e obsoleto
do gueto sai
formiga e\ou capataz
que se esvai sem paz
100% sem alento
e sem perdão
na agonia de estar torto
dá o adeus alegre
porque se reconhece como inteiro
e morto, e aos que se consideram seus...
adeus
gael
do que estar
com diferentes
seres que são gentes
a soma, equação
ímpar, limpa
com coração
que gere
feto puto
de luto porque não nasce
se suicida
da vida de lucro
obtuso e obsoleto
do gueto sai
formiga e\ou capataz
que se esvai sem paz
100% sem alento
e sem perdão
na agonia de estar torto
dá o adeus alegre
porque se reconhece como inteiro
e morto, e aos que se consideram seus...
adeus
gael
sexta-feira, 27 de junho de 2014
aluguel nunca pago
agora cobrado em juros
a casa em área de risco
confirmava o comprometido futuro
agora cobrado em juros
a casa em área de risco
confirmava o comprometido futuro
estrutura física de nada servia
foram deslocados em nome do progresso
a base sentimental era o que os unia
de testemunha ocular: frentista assalariado da Esso
foram deslocados em nome do progresso
a base sentimental era o que os unia
de testemunha ocular: frentista assalariado da Esso
rotina já conhecida
não preciso te descrever
acorda cedo, trabalha e dorme
e esquece da repetitiva jornada
quando lembra das cana que tem pra beber
não preciso te descrever
acorda cedo, trabalha e dorme
e esquece da repetitiva jornada
quando lembra das cana que tem pra beber
tv que dita duro padrão,
é a mesma do "boa noite" educado
a que sai de cima do muro, em prol do interesse privado
é a mesma do "boa noite" educado
a que sai de cima do muro, em prol do interesse privado
é a mesma que lucra com miséria
é a que vê pobre e enxerga tiete
sorri ao sabor da mínima tragédia
e cheirando o sofrer, sente odor de manchete
é a que vê pobre e enxerga tiete
sorri ao sabor da mínima tragédia
e cheirando o sofrer, sente odor de manchete
príncipio de chuva, domingo nublado
cena comum o que vinha
não fosse o lugar onde estavam
cena comum o que vinha
não fosse o lugar onde estavam
tromba dágua, afoga:
sentimento, móvel e mágoa
sentimento, móvel e mágoa
naquele terreno empurrado
crime que nunca vai ter fiança
o que restou ali soterrado
foi a barbie lora, magra e branca
.
.
.
liga a tv, canal aberto, pode ser os do clero
sei que vivo de erro, e neste enterro o funeral é incerto
pode dizer que isso é mera minha especulagem,
fruto de má imaginação e imagem
mas, atenção na intenção do caminho percorrido por certas reportagem
crime que nunca vai ter fiança
o que restou ali soterrado
foi a barbie lora, magra e branca
.
.
.
liga a tv, canal aberto, pode ser os do clero
sei que vivo de erro, e neste enterro o funeral é incerto
pode dizer que isso é mera minha especulagem,
fruto de má imaginação e imagem
mas, atenção na intenção do caminho percorrido por certas reportagem
gael
terça-feira, 3 de junho de 2014
juli
una chica,
pequeña y alta
de gran corazon
e larga sonrisa
de coração proporcional a altura
seu sorriso não é remédio, mas me serve de atadura
me engasgo nas palavra que falo
aí escrevo, pros sentimento num ir direto pro ralo
camina en la calle
e asi tiene, mejor aprendizado, mayor conteudo
lo que basta, es en la manhana dar-te um beso de desayuno
na carinhagem o chamamento é direto: Ju!
e pode sorrir aí, que agora sem pedreiragem, isso é pa tu
gaelsolo
mutuo
somos como crianças
dividindo balas e doces pelas mãos
mas longe de ser dia de cosme e damião
não sou alvo, nem tu é lança
entendeno objetivo de não ter objetivo
e me enxergo igual a você: sendo ser, vivo
o caminho é árduo
ma(i)s pesado é o fardo
por isso te proponho um laço
quando precisar, só peça um abraço
e mesmo que tu acha que é obra de minha época de construção civil
teu rosto fica mar lindo, nos momento que tu para e... sorriu!
que seja mútuo enquanto vive
e o amor, como nós possa ser nu, e (que) livre
gael
narrativa pirdida IV
Atordoado, escrevo enquanto ser vivente pra prolongar meu tempo-intervalo neste espaço. Meu corpo e mente me traem e me fazem de vítima e algoz ao mesmo tempo. Não adianta se rebelar, eu sou um sobrevivente das guerras invisíveis. Onde grande maioria não enxerga o que acontece ou diz não saber dos ocorridos. As máfias dominam tudo e te compram com sorrisos e propagandas sustentaveis. A mudança é adiada pelas medidas paliativas que nos governam, e as corporações desumanizam os corpos que as sustentam em troca de....nada. A escravidão não foi abolida, foi adaptada a forma que vivemos, ou melhor, a forma como vivemos pode acabar se tornando escravidão. Sem direito a alforria. Bolas de ferros e grilhões não conseguiriam representar o fardo que muitos carregam na escravidão contemporanea. Adestram o comportamento para manter a estrutura ultrapassada que está em voga. Ao menor suspiro, tudo pode ruir. De sobra veremos cacos, poeiras e migalhas. E a mim, cabe olhar pra trás e ir de pouco em pouco juntando meus restos...
gaelsolo
sexta-feira, 2 de maio de 2014
rascunho pro filho de um pai teimoso
revivendo os erros e dores de um velho homem menino
o silêncio dos ex-amores com seus sabores e odores é o hino
uma vida inteira a vagar
sem vaga em instituição religiosa, governamental ou familiar
a fumaça migra entre os dedos e a boca, o cheiro fica na roupa
os goles e tragos são só o farelo da noite
vale-se as boas companhias que amenizam o açoite
nada de bodes e cabras, se distanciava do pasto
o canto dos malditos era protagonista no ato
sou o senhor das linhas tortas
o homem de variadas portas
e o menino, que ciente do temporal, cuida de suas hortas
minhas migalhas só demonstram que também vim do pó
e tão frágil como corda, arrebento num acorde de dó
internado no passado de estar doente do peito e do coração
resido fora do palco, aos que disseram que perdi a razão
sei que faria de tudo, mas isso não representaria nada
restou a sinfonia das risadas tristes e debochadas
e na consideração de que sou vazio,
abandono cachoeiro e rio
gael
o silêncio dos ex-amores com seus sabores e odores é o hino
uma vida inteira a vagar
sem vaga em instituição religiosa, governamental ou familiar
a fumaça migra entre os dedos e a boca, o cheiro fica na roupa
os goles e tragos são só o farelo da noite
vale-se as boas companhias que amenizam o açoite
nada de bodes e cabras, se distanciava do pasto
o canto dos malditos era protagonista no ato
sou o senhor das linhas tortas
o homem de variadas portas
e o menino, que ciente do temporal, cuida de suas hortas
minhas migalhas só demonstram que também vim do pó
e tão frágil como corda, arrebento num acorde de dó
internado no passado de estar doente do peito e do coração
resido fora do palco, aos que disseram que perdi a razão
sei que faria de tudo, mas isso não representaria nada
restou a sinfonia das risadas tristes e debochadas
e na consideração de que sou vazio,
abandono cachoeiro e rio
gael
quinta-feira, 24 de abril de 2014
tarra tudo ruído e o redor as ruínas
no ouvido o hino cínico do coro de hienas
defunto submerso em seus auto pensamento
denunciava-se confuso com os fuso de não agir com facil consentimento
de nada vale a base desestruturada ou estruturas de ilusório porte
e ainda...escrever pra crer que enquanto vida, não ser morte...!!
gael solo
no ouvido o hino cínico do coro de hienas
defunto submerso em seus auto pensamento
denunciava-se confuso com os fuso de não agir com facil consentimento
de nada vale a base desestruturada ou estruturas de ilusório porte
e ainda...escrever pra crer que enquanto vida, não ser morte...!!
gael solo
domingo, 6 de abril de 2014
até o que vomito
pode fazer parte de meus rito
quando a carne grita mais que a boca é hora de reconstruir o repensado
voz tremula e falha tbm pode inferir o questionado
ou o que é dito é que é pra em conta ser levado?
vale mais o som da captação de um nulo conteúdo
ou a ação de captar aprendizagens em estado mudo?
vai e volta, rotina gangorra
que te faz andar em círculo, e quando não o mínimo é que tu corra!
vai as forra, sem anseio de alforria
e vinga-se de si, pra por de lado a agonia
perceba a maquina que se alimenta de mentes
devoramos animais, enquanto a máquina devora a gente
ao final da digestão áspera e conivente:
descanso forjado aos que não acreditam estar/ser cardápio
eu não sou hábil, mas sei que já servi de alimento
Galeano deu o papo que serviu de alento
somos aves engaioladas escolhendo o molho, então fique atento
pois se a carne é fraca, nosso grito faz eco no abismo dos sentimento
gael
pode fazer parte de meus rito
quando a carne grita mais que a boca é hora de reconstruir o repensado
voz tremula e falha tbm pode inferir o questionado
ou o que é dito é que é pra em conta ser levado?
vale mais o som da captação de um nulo conteúdo
ou a ação de captar aprendizagens em estado mudo?
vai e volta, rotina gangorra
que te faz andar em círculo, e quando não o mínimo é que tu corra!
vai as forra, sem anseio de alforria
e vinga-se de si, pra por de lado a agonia
perceba a maquina que se alimenta de mentes
devoramos animais, enquanto a máquina devora a gente
ao final da digestão áspera e conivente:
descanso forjado aos que não acreditam estar/ser cardápio
eu não sou hábil, mas sei que já servi de alimento
Galeano deu o papo que serviu de alento
somos aves engaioladas escolhendo o molho, então fique atento
pois se a carne é fraca, nosso grito faz eco no abismo dos sentimento
gael
sábado, 22 de março de 2014
Uma das primeiras lembranças que tenho sobre meu sobrenome adotado, foi no primeiro dia da segunda semana de março de uns anos atrás. Eu estava indo pro colégio, e aí vi algumas senhoras e moças com rosas nas mãos, estranhei o fato da uniformidade (típica em alguns humanos) das flores. Eram todas iguais, versão unitária e totalmente vermelhas. Cada mulher naquele dia deveria receber uma, pelo menos era o discurso. De Estamiras a Narcisas. Todas eram "homenageadas e presenteadas". No colégio, fizeram questão de uns preparativos bestas como se fossem tapa-buracos. E aproveitaram a licença maternidade da professora de português, pra fingir que tinham planejado todo o evento. Tentei começar a ler um livro, mas um professor disse que não podia por ser um dia importante pra mim. Daí eu perguntei, pq eu deveria levar em conta datas comemorativas apenas simbólicas e nada representativas. Bem, ele disse que era um dia importante pra mim. Guardei meu livro, e esperei ele sair pra colocar os fones nos ouvidos, o que foi uma pequena fuga daquele nauseante feliz momento. Na hora da saída, tinham alguns funcionários distribuindo rosas para todas as mulheres da escola. Das alunas mais novas, ás funcionárioas e mães mais velhas. Grande maioria sorria e agradecia ao receber a singela lembrança(artificial). Na minha vez, eu peguei a que descartavelmente seria dedicada a mim, e em seguida joguei no chão. O rapaz, me chamou e disse que deixei cair, neguei com a cabeça e e falei que podia ficar pra ele, "mas hoje é seu dia" ele me disse, voltei pra pegar a rosa. Ele ia abrindo um leve sorriso como se tivesse me convencido. Eu devolvi a rosa pra ele, e disse que não fazia questão desse "meu dia". Aí, como num estalo profético, ele me chamou de ingrata. Respondi o elogio com máxima satisfação no rosto, e um educado vai tomar no cu na boca...
Ingrid
Ingrid
domingo, 9 de março de 2014
Se viram poucas vezes, e a entrega
suprimia a quantidade de encontros
Foram intensos como guerra, sem espaço pra trégua
E se tornaram um, se entendiam enquanto inacabados
se fossem perfeitos, seria o final e pronto...
ato realizado sem coadjuvantes
ambos protagonistas: dificíl execução!
por isso o ensaio era desnecessária ação
o entrosamento era visível nos sorrisos em seus semblantes
dizem que mutualismo é coisa de bicho
foram bicho,
não tinham habitat, qualquer lugar
servia de ninho e nicho
a rotina é predatória
e uma relação que podia dar boa cria
se viu entrando em confusão, enquanto se extinguia
perceberam estar entrando em cativeiro
e antes que fossem dominados por inteiro
dentro daquele espaço que nada tinha a ver com saigon
mas que ela também disse adeus pelo espelho, com batom
gael
suprimia a quantidade de encontros
Foram intensos como guerra, sem espaço pra trégua
E se tornaram um, se entendiam enquanto inacabados
se fossem perfeitos, seria o final e pronto...
ato realizado sem coadjuvantes
ambos protagonistas: dificíl execução!
por isso o ensaio era desnecessária ação
o entrosamento era visível nos sorrisos em seus semblantes
dizem que mutualismo é coisa de bicho
foram bicho,
não tinham habitat, qualquer lugar
servia de ninho e nicho
a rotina é predatória
e uma relação que podia dar boa cria
se viu entrando em confusão, enquanto se extinguia
perceberam estar entrando em cativeiro
e antes que fossem dominados por inteiro
dentro daquele espaço que nada tinha a ver com saigon
mas que ela também disse adeus pelo espelho, com batom
gael
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
numa mão o urso de pelúcia,
na outra o cigarro aceso
entre os dois objetos
a confusão, a dor e a indiferença
futuro era verbo não conjugado
e ainda por cima imperfeito
a janela era o divã,
com os pensamentos batendo no vidro...
como moscas
inocência e malícia
brincavam de mãos dadas
não pareciam felizes,
não era esse o objetivo, buscavam raízes
e na sucessão dos fatos, rotina homicida
tiravam vidas de dívidas antigas
bom casal, mas tirando a boa miral
em falhas e erros eram especialistas
gael, solo
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
nasce o filho do palhaço
seu exemplo é motivo de riso
não se preocupava com estardalhaço
diferentemente do pai, tinha um comportamento contido
dentre os amigos, seu pai era o único maquiado
as outras profissões tinham outra proposta
sua fantasia era mais real do que as pastas dos engravatados
e quando apareciam com diminuições, o sorriso macabro servia de resposta
tradição passada a cada geração
de mãe pra filha, de avô pra neto
minorias unidas, prontas pra preservação
inversão de certas visões, e o chão vira teto
a peruca ajudava o palhaço calvo
e as atrações orgulhavam o filho
o caráter ganancioso era o alvo
denunciava o luxo, com seu terno maltrapilho
no dia dos pais nada de comemorações
era dia de trabalho, precisava gerar risos
vivia o filho, infancia fora dos padrões
e o presente pro seu pai, foi o mais puro sorriso
gael
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Era noite. Fui andando preocupado em não preocupar meus pensamentos. Quando percebo na minha direção uma figura obscura. Vinha exatamente caminhando na mesma linha que eu. Parecia fazer de proposito. Cada vez que eu caminhava e mais proximo ficava, em mais pensamentos ia pondo minha cabeça. Até certo ponto, reconheci parte do que consegui enxergar. Com grande cautela, optei por continuar na mesma calçada, o estranho é que a outra pessoa tbm parece ter hesitado em atravessar a rua, e abdicou da escolha pra continuar andando no mesmo local. Mais passos. Mais perto. O reconhecimento chega a um grau pessoal e íntimo, e claro mais uma vez estranho. Me questiono por dentro, sobre essa figura decadente e conhecida que vinha. Tinha um ar de dúvida e era deprimente. Quando enfim chego bem perto, me tomo por grande surpresa.. Ao perceber que o que estava vendo desde o início era um espelho, e a figura que tanto me atormentava e incomodava era minha propria imagem...
gael
gael
domingo, 19 de janeiro de 2014
O rascunho da segunda apresentação de Ingrid
Não foram presentes! O que mais ganhei na vida foram rótulos: estranha, maluca, esquisita, paranoica e desleixada já me são familiares. Recebi esse adjetivos pelo meu comportamento não condizente com o normal e o comum. Apesar de viver nessa classe mediana, sou uma péssima aluna. Esse meritocracismo me dá náuseas. Cuspo essas poucas palavras pra dizer que sou e serei uma eterna repetente dessa instituição. Não uso maquiagem, as abomino. Nada de salto alto, pé descalço me é mais natural. Em relação ao horário sou como alguns conteúdos e matérias: atrasada. O primeiro sinal marca a entrada. Todos sonolentamente acordados a entrar em ação. O ultimo sinal permite a saída dos acordosamente sonolentos. Fila indiana. Do menor pro maior, a demonstrar a hierarquia de quem manda. Sigam o mestre, ele é o exemplo e inquestionável. Pura balela... Não sou de apresentações, mas me chamo Ingrid, e retornando aos adjetivos, o que mais me prendeu atenção: Ingrata. prazer (?) Ingrid Ingrata.
gael ajuntador de tropecos
gael ajuntador de tropecos
sábado, 4 de janeiro de 2014
por que escapas?
aqui tu ja é intruso
não se renda as ameaças
continue como recluso
nasceu fadado a tropeçar-se
atropelamento procurado
se jogou na frente
rente ao amor plastificado
penetra numa festa sem comemoração
a marcha fúnebre se confunde com o som de ostentação
fim da corrida ou novo ponto de partida?
só o percurso pode responder:
por que escapas?
solo gael
aqui tu ja é intruso
não se renda as ameaças
continue como recluso
nasceu fadado a tropeçar-se
atropelamento procurado
se jogou na frente
rente ao amor plastificado
penetra numa festa sem comemoração
a marcha fúnebre se confunde com o som de ostentação
fim da corrida ou novo ponto de partida?
só o percurso pode responder:
por que escapas?
solo gael
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