quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

restos

perfurando o próprio peito
arrancando os próprios olhos
tirando fora as orelhas
costurando a própria boca
flagelando as próprias costas
mutilando seguidamente pernas e braços
transformando-se no oposto
de tudo que lhe desejavam
ou que sempre sonhou
deixando livre apenas o polegar, indicador e o médio
da mao que julga mais apta a escrever
ainda assim existirá um pavio de esperança:
a necessidade se transforma em fagulha
pronta pra riscar o chao...
mostrando que é possível mesmo com a dor
parir algo belo
gael

album de focos

as parede tão manchada
sangue, suor e os mosquito mortos
a cabeça dirige confusa entre curvas e os destroços
subjugaro indiretamente a falha criatura
vã e submetida(recolhida) na prisão sem cura
visão embaçada, amassada como fútil-inútil rascunho
é irônico saber que a porrada que mais dói é a que vem do próprio punho
e ainda sem chance e com futuro comprometido
saúde tropeçano como mais um bebado perdido
cê acha que o silêncio não tem barulho, é sem volume?
percebe a escuridão e vê sem orgulho,
a diferença que faz a presença de um mínimo vagalume..
quem me fez pensar nisso veio da terra de ninguém
onde um foda-se é mais sagrado que um amém
cidade habituada ao comportamento antiético
onde é sujo, nu e cru o realismo poético
tradição de vilarejo latino, tiroteio contribuindo
pra melodia do sino
e isso em plena tarde, não noticiado e ignorado sem alarde
acontecimento sem manchete,
tão válido quanto jogar dama e querer aplicar xeque
ouço o vento enquanto durmo em meu leito
me contaro que mais um garoto se jogou do parapeito
das faculdades, pra não ter mais volta
presenteou a tia e o irmão com mágoas e muita revolta
interpretação não muito clara dos fatos
obrigaro o lobo domesticado a fugir
antes de tê-lo encurralado
dificultaram a fuga pra não parecer ficcional
e todo mérito ficaria na conta do animal
ainda fizeram questão de dar um maço e um conhaque
pra por a culpa no alco, a razao de todo o ataque
os enfermero forjaram hematomas e fingiram dor
sabiam que seria melhor pro bicho
dar mais uns gole no traçado da vida pra lembrar do sabor
lembraro da cena final
uma piscada com o olho esquerdo,
junto do cigarro entre os dedo
como se fosse livre de forma literal
daí, todos não viveram felizes para sempre
os enfermero ganhando mal e seguindo indiferente
os jornais não acharam importante a fuga do "delinquente"
a conta bancária do diretor subtraída, através de suas lentes
e lobo inquilino da guerra e da dor
achando que tarra liberto: incorreto!
endividado de culpa, e do ato da fuga
mais um sobrevivendo de trabalho subserviente
gael

Semente do Pinheiral ou Um fruto do Pinheiro de Paulo César(ou uma cópia deslavada mesmo)

Vi bem próximos despreparo,inércia e desespero
e de longe soberba, falácia e ausencia
a média distancia mistérios, lendas e medo
e nao lembro em qual destes mais pedi clemencia
os mais próximos tocaram no aprendiz
os no horizonte perceberam falso mestre
os que passam no meio, arrebentaram a linha do triz
e esse da longa distancia foi quem semeou a peste
sao etapas da jornada em fracasso
observadas pelo solitário sanhaço
todas demandam energia pro porte
falho e bem perto de mim, enxergo eu
distante e cheio de si o chamam de deus
ja na média distancia percebo a força da morte
gael