Emílio Ríos amava formigas. Tinha grande obsessão por elas, se pudesse ficava o dia todo junto delas. As estudando e observando, achava curioso aqueles bichinhos tão pequenos terem a (grande) capacidade de desenvolver engenhosos formigueiros com foco no trabalho em conjunto. Se sentia uma delas, e quando podia até dava uma ajuda. Quando adentrava túneis, se imaginava rodeado de outras formigas... a rainha, as trabalhadoras, os filhotes, etc.. Seus hábitos mudavam aos poucos, e sua mãe, Carmem Ríos, percebia e acompanhava a mudança. Tinha dúvidas. Certeza mesmo, só teve no dia em que viu Emílio nu em seu quarto devorando em meio a terra e areia um grande pedaço de açúcar, parecia feliz. Carmem sorriu, fechou a porta e passou a ter um filho-formiga até o dia que foi atropelada por um caminhão que transportava ilegalmente animais silvestres. Engraçado, o único que morreu dentro do veículo era um tamanduá velho e rabugento. Emílio não ficou triste, chamou seu bando de formigas e festejaram em volta do defunto narigudo o fim de seu opressor.
gael