segunda-feira, 30 de março de 2015

estranho pro ninho

voce me apareceu como piscar
foi tomando espaço de forma peculiar
e ficou por aqui pra eu aprender a amar

e eu bruto e bem imaturo
fico puto porque não me curo
numa relação que não me imaginava, agora me figuro

passarinha, tu me ama, e eu te dano
tu me venta e eu soprano
e mesmo que não pareça, tu sabes, eu te amo

nada de bela e a fera, não és princesa
és luta, pergunta e incerteza
cê pensava em relação e eu só nas minhas fraquezas

fui ruim sem saber
te acorrentei sem querer
e entre a vontade e a invasão... ficou teu ninho a morrer

registro o que sinto, o que falo é poeira
traí nossa amizade, sem ultima ceia
na base que acabei construindo, o sustento era areia

ce me plantou sementes, fruto que me revigora
relação de aprendizado que não conheci na escola
e logo eu, que falava de liberdade, te botei na gaiola

gael

ó

eu renasço nas cinzas dos escombro que ces mermo produziro
de combustível: o ódio e rancor demonstram que é na revolta onde vivo
resíduo de uma mistura nada saudável
pois forçosamente respirei teu ar intragável
não acredito em evolução, mas me adapto facilmente
por conta da poca ou nenhuma opção que ces acha que dão, me proclamo independente

além do fato que tua avaliação de nada me serve
é ironico ver que quem explora que se comporta como verme
e daqui de baixo a gente olha e acha graça
a tua competição afoita nunca ganha de nós, por causa da raça
ainda somo chamado de produto, tributo e caça, mas antes do proximo ataque
cê vai ver que nesse jogo, é o pião que tem mais disposição pro (xeque) mate

guentamo caminhar varias horas do dia
debaixo do sol, fazemo nossas canções de resistencia
não confunda teus centro de estudo colonizado, com nossa inteligência
pois o saber nunca é aprendizado se tiver lidando com hierarquia

nós erramos, e é aí que se encontra nossa diferença
pois ces acha que sabe mais só por ter avançada tecnologia
nossa sensibilidade é base de nossa crença
porque com o mínimo de opções é onde melhor se cria

gael

retrato deteriorado

me pintei como me disseram
de personagem, uns diziam o que eram
abdiquei, não sei de onde eu vim
também duvido até donde será meu fim

o que não sei, peço minima ajuda
que sei bem, rogam virgula perdão
que quem possa, no alco tbm nos acuda
e veja, que o olho tbm traz ilusão

o cisco engana melhor dos olhares
e quem tenta, ameniza a pior das dores
errador, como eu tenta mudar os ares
percebendo que até em cemitério tem flores

me findei, de comemorar dia de finados
e dia da vida, tinha dívida olhe só
fim da noite, tinha nenhuma comemoração
a festa da vinda, foi solitária e não teve perdão

ainda assim, se mantinha poesia
nua e crua, frigida era toda vida
diminuindo o que ali se continha
o tudo era nada, e do nada tudo era vizinha

abstrato, nada nem se representava
e o tudo de si sempre se vangloriava

não percebia que de si não sabia nada

o todo não se ausenta quando está em voga
a prece-oração daí, não se faz a roga
em saber que ás veze tem alguém acima
e percebe, pisca o olho, tenta sem hierarquia
que vê momentos, muito mais além da rima
e veja no fim, confusão, que além do amor, todo ser se alia

Capitalício treiler

E lá ve, ele com passos firmes, pesados e dificultosos
apelidaram-no carinhosamente de espremedor de ossos
devora tudo que vê pela frente:
expressões pupulares, natureza e seres não subservientes
faz questão de mastigar tudo
não é muito de pensar, faz a alimentação mudo
Capitalício tem seus vicíos e sabe disso
um dos principais, é brincar de destruir vidas em favelas e cortiços
tem todo um aparato ao seu lado
arsenal de guerra e uns cachorro geneticamente alterado
fora sua força não necessariamente bruta
apesar de não racionar bem, sabe que mentes e corações tamém são campos em disputa
não liga se tu tem seus contratempos
te engole facim, facim misturado aos condimentos
e o faz sem dó, nem piedade
principalmente se discordar dos rolé-padrão de raça, genero ou tiver renda baixa na cidade
se desenvolveu aos poucos, agora ostenta grande império
a forma de viver e comer é uma: não ter critério!
ele é uma fábrica de guerras
faminto, não quer saber se povo nativo tem forte ligação com sua terra
apesar de tanto comer, não fica farto
desejo e luta de muitos é infarto
podre por dentro, veste boa grife, tem caro perfume e vive sorrino
nega a cana popular, não combina com seus terno fino
se fosse filme, taria na seção de terror ou tragédia
mas como é real e cotidiano, a gente vaia tomano uma, esse espetáculo dos fabricante de miséria
.... (cena final é ele boiano na sua piscina de desperdício, fumano um charuto oriundo de outro latrocínio)

gael
Num mundo distante
onde a fala, é feita por telefones
através de câmeras
enxergamos semelhantes

O toque é na tela
o ar condicionado
cigarro eletrônico
real deteriorado

somos como pequenos roedores encurralados
formando grupos ditos anti-tédio
que te fazem continuar a levar mentira a sério
e daí conduzidos a não pular de prédio

"um frango em cada panela, um carro em cada garagem"

sorria ce foi submetido ao menor valor da vida
em promoção, ce presta ações de forma dividida
a orquestra dos iguais inibe seu solo
uma nota fora da partitura e te convidam a saída

caixas eletronicos usados, orgasmo do capital
banalização do contato, até o sexo é virtual
o espetáculo da vida real,
é bonito e lhe faz mal

a ponto de fotografar como um zoológico
instantes naturais como nascimento e óbito

gael

Vagalumes

Os vagalumes zanzavam freneticamente em torno da luz. Era mais uma noite qualquer, como uma dessas em que algo lhe inquieta tentado te fazer produtivo. Apenas registro pois alguém acreditou nisso. O cheiro do suor se mistura ao do ambiente. Calor e trabalho, na cabeça o stress de coisas secundárias, no coração o desejo de ser algo coerente. Complicado! Os dois se confundem como as duas mãos ao se perguntarem qual dará o último trago a boca cariada. Devo isto? a poucos que ainda creêm humanamente na minha existência. É por estes que ainda estou aqui. O fardo é pesado, assim como o de cada ser que habita contraditoriamente neste plano. Os vagalumes somem, não por opção deles, só mudo meu campo de visão. Assim funcionam as coisas: questão de perspectiva? Fumaça, farelo e ruídos são pedaços e alimento. Nos resta aproveitá-los, para perceber o que e quem nos cerca.

Orleans e Bragança

Era a típica visão que diminuía o trabalhador em qualquer instancia, qualquer situação. Tudo era motivo de chacota, claro, nunca ocupou o lugar de quem não tem privilégios e benefícios. Queria um educado atendimento, de certo que exemplar, entre as visitas constantes a lojas, shoppings e ajuntamentos de concreto do tipo. O cartão ganhava da mãe, e do pai, recebia um ótimo exemplo de como se portar em publico reproduzindo todo tipo de preconceito. Desd'o conhecido argumento de classe, que segundo o patriarca era chato e repetitivo, até coisas mais recentes da modernidade, como homofobia e legalização de drogas. Assuntos esses que eram sempre abordados de forma conjunta.. lamentável! Era uma família respeitada, tinha bons costumes, bom trato social... Claro todos esses valores avaliados pelo juiz que nada vê e tudo mente e civiliza. Gozavam do laudêmio, das propriedades que possuiam, fora as regalias de serem decendentes diretos dos Orleans e Bragança. Em relação ás propriedades, tinham lojas e empreiteiras. Dentre as regalias, a amizade de desembargadores, deputados e apresentadores ajudavam quando a nobre família deixava escapar um pouco da sujeira varrida pra debaixo do tapete. Agora o laudêmio é o que mais encucava os que sabiam de sua existencia, pois grande maioria não sabia sequer o que era. O tal do laudêmio era um imposto cobrado na época da Coroa, em relação a compra e venda dentro do território "nacional". Só que depois de tanto tempo, esse imposto ainda vigora, de diferentes formas. Sendo que na bela, histórica e turística cidade imperial toda arrecadação vai para os herdeiros do Pedro I. Estes que contribuem para um município extremamente geriátrico, bocejante e provinciano. Todos cidadãos petropolitanos são bem felizes ao entoarem o hino da cidade, quando dizem que "Petrópolis tens do passado gloriosas tradições".

gael