sexta-feira, 27 de junho de 2014

aluguel nunca pago
agora cobrado em juros
a casa em área de risco
confirmava o comprometido futuro
estrutura física de nada servia
foram deslocados em nome do progresso
a base sentimental era o que os unia
de testemunha ocular: frentista assalariado da Esso
rotina já conhecida
não preciso te descrever
acorda cedo, trabalha e dorme
e esquece da repetitiva jornada
quando lembra das cana que tem pra beber
tv que dita duro padrão,
é a mesma do "boa noite" educado
a que sai de cima do muro, em prol do interesse privado
é a mesma que lucra com miséria
é a que vê pobre e enxerga tiete
sorri ao sabor da mínima tragédia
e cheirando o sofrer, sente odor de manchete
príncipio de chuva, domingo nublado
cena comum o que vinha
não fosse o lugar onde estavam
tromba dágua, afoga:
sentimento, móvel e mágoa
naquele terreno empurrado
crime que nunca vai ter fiança
o que restou ali soterrado
foi a barbie lora, magra e branca
.
.
.
liga a tv, canal aberto, pode ser os do clero
sei que vivo de erro, e neste enterro o funeral é incerto
pode dizer que isso é mera minha especulagem,
fruto de má imaginação e imagem
mas, atenção na intenção do caminho percorrido por certas reportagem
gael

terça-feira, 3 de junho de 2014

juli

una chica,
pequeña y alta
de gran corazon e larga sonrisa
de coração proporcional a altura seu sorriso não é remédio, mas me serve de atadura
me engasgo nas palavra que falo aí escrevo, pros sentimento num ir direto pro ralo
camina en la calle e asi tiene, mejor aprendizado, mayor conteudo lo que basta, es en la manhana dar-te um beso de desayuno
na carinhagem o chamamento é direto: Ju! e pode sorrir aí, que agora sem pedreiragem, isso é pa tu

gaelsolo

mutuo

somos como crianças dividindo balas e doces pelas mãos mas longe de ser dia de cosme e damião
não sou alvo, nem tu é lança entendeno objetivo de não ter objetivo e me enxergo igual a você: sendo ser, vivo
o caminho é árduo ma(i)s pesado é o fardo
por isso te proponho um laço quando precisar, só peça um abraço
e mesmo que tu acha que é obra de minha época de construção civil teu rosto fica mar lindo, nos momento que tu para e... sorriu!
que seja mútuo enquanto vive e o amor, como nós possa ser nu, e (que) livre

gael

narrativa pirdida IV

Atordoado, escrevo enquanto ser vivente pra prolongar meu tempo-intervalo neste espaço. Meu corpo e mente me traem e me fazem de vítima e algoz ao mesmo tempo. Não adianta se rebelar, eu sou um sobrevivente das guerras invisíveis. Onde grande maioria não enxerga o que acontece ou diz não saber dos ocorridos. As máfias dominam tudo e te compram com sorrisos e propagandas sustentaveis. A mudança é adiada pelas medidas paliativas que nos governam, e as corporações desumanizam os corpos que as sustentam em troca de....nada. A escravidão não foi abolida, foi adaptada a forma que vivemos, ou melhor, a forma como vivemos pode acabar se tornando escravidão. Sem direito a alforria. Bolas de ferros e grilhões não conseguiriam representar o fardo que muitos carregam na escravidão contemporanea. Adestram o comportamento para manter a estrutura ultrapassada que está em voga. Ao menor suspiro, tudo pode ruir. De sobra veremos cacos, poeiras e migalhas. E a mim, cabe olhar pra trás e ir de pouco em pouco juntando meus restos...

gaelsolo