segunda-feira, 7 de novembro de 2016

asfixia

asfixia
como alimento engasgado ante a má digestao
vem o verbo entalado, que gera forte cançao
aquela que arrepia e dá frio na barriga
que vale 1 segundo nesse mundo homicida
que fabrica doença, crença e morte
nisso; criança é alento num momento sem sorte
confirma o que roberto ribeiro cantava:
"ainda resta..." o refrão que é suporte
no instante clínico entre o parto e o velório
exemplo cínico que até o tempo é ilusório
intervalo-existencia pra prolongar jornada incerta
dois corpos, caranguejos e uma praia deserta
traçando cachaça, enxergando horizonte
respeitando os antigo, é beber agua na fonte
é o estalo: como sampaio e o bloco
e o estopim: o menino, o tanque e a foto
é a feijoada regada no cacique de ramos
com as veias abertas, vivendo cem anos
e o besouro vermelho é o anti-herói absurdo
ataca falso mérito com humor e conteúdo
é a rua pixada chamando atenção
o partido e o freestyle dando as mãos
é o miudinho misturado ao moinho de vento
o hiphop, o samba e seus fundamentos
registrando nascimento e luto
através do que sinto, vejo, falo, toco e escuto
e antes do último minuto reina a asfixia:
morre o poeta... vem a tona a poesia

gael

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