Tocar a carne não é comê-la
Comer a carne não é tê-la
O caçador resume sua caça á minimas presas
E a caça compreende quem em matéria de cadeia alimentar, não ocupa a realeza
Buscar a carne, é fé na captura
Achar a carne, é de vida e morte: disputa
Transformar a carne em troféu, faz parte dessa conduta
E menosprezar a carne, é veneno sem cura
A carnificina é bater cartão nesse ofício
A sede por carne, leva o sangue a ser vício
A carne ter voz pra falar, é instante fictício
E a carne sobreviver, é raro e muito difícil
Contra a carne tecnologia, tiros e armas
condecorações, medalhas, dinheiro e fardas
A favor dela a vida nas sombras, escassa e em fuga
Atenta por estar sempre em perigo, vive sempre confusa
A carne é derrotada e morta e em paredes exposta
A pergunta é (d)a máquina que tritura, e a carne a resposta
De diversos tamanhos e formas, a carne tá na mesa posta
Mal passada ela vive, mesmo tano sempre disposta
A carne é mastigada, devorada e ás vezes cuspida
Olha pra si e enxerga um prato cheio de dor e uma porção de feridas
Somos movidos a ver a caça como atividade legal e bem divertida
Resta saber se tu mata sua fome, executando outras vidas
gael
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