Seu Ambrósio era um velho teimoso. Segundo ele era veterano da segunda guerra. Segundo a verdade foi dispensado semanas antes do conflito por acidente trágico, tropeçou num treinamento e caiu em cima do próprio braço (azar). Numa casa de dois andares, bem arejada, viviam ele, o neto Ademir e Duque, seu vira-lata que adorava carne-moída. Pela idade, Seu Ambrósio já não tinha lá a vitalidade de seus tempos militares e dependia diretamente de Ademir. Ademir, era inteligente, mas teve de abandonar os estudos pra ajudar o avô. Acordava cedo e preparava o café para três, já que Duque era considerado membro da família. Ademir não ligava muito pra sua vida, mas achava que um pouco mais de liberdade não o faria mal, pois executava todas suas funções com extrema pontualidade e esperteza, e mesmo assim o velho fazia questão de arrumar algo mais pra ele fazer. "Coloque em ordem alfabética meus discos do Rei", "tire a poeria da minha coleção de selos" eram as frases que mais ouvia e portanto, as atividades que sempre repetia o prestativo rapaz. (Porém), o que incomodava-o totalmente eram os estridentes gritos de "cadê meu copo d´água?" e lá subia ele as escadas com o copo cheio do solvente universal. Ele sugeriu mil vezes ao avô deixar uma garrafa cheia no criado-mudo e sempre era repreendido aos adjetivos de "preguiçoso, jovem preguiçoso!". Certo dia após gritar durantes dois incessantes minutos Seu Ambrósio percebe que o neto havia deixado um bilhete ao lado da cama. Ao abrir, leu: "Vovô,como forma de agradecimento por todos esses anos de ótimo tratamento, fui buscar água diretamente da fonte". Extasiado e orgulhoso, Seu Ambrósio morre de sede dias depois, mas feliz ao concluir que não tinha um neto tão preguiçoso quanto pensava.
gael
Nenhum comentário:
Postar um comentário